Rádio Comunitária Areia FM


NOMES QUE FIZERAM A HISTÓRIA DO RÁDIO

Amaral, Waldir (1926-1997), locutor esportivo e jornalista brasileiro, um dos criadores do que se convencionou chamar de futebol-show, no qual as transmissões radiofônicas tentam “mostrar” o jogo para o ouvinte. Começou a carreira ainda em Goiânia, sua cidade natal, trabalhando na Rádio Clube. Em 1948, foi tentar a sorte no Rio de Janeiro, onde conseguiu emprego como locutor comercial na Rádio Tupi. Teve a sua primeira chance no jornalismo esportivo na Rádio Mauá, como auxiliar de Jayme Moreira Filho. O primeiro jogo que narrou, no entanto, foi na Continental, onde se integrou à equipe de Gagliano Neto. Passou por algumas emissoras e até mesmo pela televisão, mas só começou a firmar o seu nome na Rádio Globo, onde estreou em 1961 e exerceu, além da função de narrador, a chefia do departamento de Esportes. Trabalhou na Globo até 1983 e, nesse período, tornou populares diversas expressões, como “indivíduo competente, esse fulano, ‘tal’ é a camisa dele...”, uma de suas marcas registradas após um gol. “O relógio maaaaarcaaaa...” era um outro de seus bordões. Criou também apelidos que acompanharam para sempre alguns jogadores, como “Galinho de Quintino”, para Zico.

Roquette Pinto, Edgar (1884-1954), antropólogo brasileiro, nascido e falecido no Rio de Janeiro. Formado em medicina em 1905, com especialização em medicina-legal, foi nomeado professor-assistente de antropologia do Museu Nacional em 1906. Estudou na Europa e, de regresso ao Brasil, ensinou História Natural, ocupou o cargo de diretor do Museu Nacional (1926) e de professor honorário da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Interessado nas possibilidades educativas das novas tecnologias da década de 1920, como o rádio e o cinema, promoveu a elaboração de filmes científicos. Mais tarde, em 1936, fundou e foi o primeiro diretor do Instituto Nacional do Cinema Educativo, órgão do Ministério da Educação que realizou extensa obra sobre temas históricos, geográficos, científicos e culturais.

Já em 1928, fundara a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, destinada à radiodifusão educativa, origem do posterior sistema de radio e televisão educativos do Brasil. Foi delegado brasileiro em congressos internacionais sobre raças, americanismo, biologia e eugenia, sendo em 1940 nomeado diretor do Instituto Indigenista do México. Escreveu, entre outros, os livros O exercício da medicina entre os indígenas da América (1906), Guia de antropologia (1915), Rondônia (1916), Ensaios de antopologia brasileira (1933) e Ensaios brasileiros (1941). Pesquisador de fama internacional, seu nome foi dado a algumas espécies de plantas e animais em homenagem a seu talento científico.

 Alencar, César de (1917-1990), apresentador brasileiro de rádio e televisão. Com voz e estilo cativantes, foi campeão de audiência no rádio por mais de 15 anos, popularizando, no Brasil, fórmulas que faziam sucesso nos Estados Unidos, como a parada de sucessos, em Parada dos maiorais, e o programa de calouros, em Cantinho dos novos. Entre as inovações que trouxe para o rádio brasileiro está a entrevista ao vivo por telefone, recurso usado até hoje. Fez a transição para a TV logo nos primeiros momentos do novo veículo, no início da década de 1950, mas nunca conseguiu igualar o imenso sucesso de seus programas de rádio. Desde 1993, com a publicação do livro César de Alencar: a voz que abalou o rádio, de Jonas Vieira, vem sendo lembrado mais por sua colaboração com os órgãos de repressão a partir do golpe militar de 1964 do que por seus feitos no rádio.

 Babo, Lamartine (1904-1963), compositor e cantor popular brasileiro, nascido no Rio de Janeiro. Dotado de grande versatilidade criativa, foi um dos nomes mais famosos da era do rádio. Deixou mais de 600 composições em diferentes gêneros. Entre os sucessos carnavalescos, destacam-se as marchinhas, como Marchinha do amor e O teu cabelo não nega (1932); Linda morena (1933); Uma andorinha não faz verão (com João de Barros), História do Brasil e Ride palhaço (1934); e Grau dez (1935); e os sambas, como Lua cor de prata (1931), A tua vida é um segredo (1933) e Rasguei a minha fantasia (1935).

Também merecem registro o foxtrote humorístico Canção para inglês ver (1931) e a marcha-rancho Os rouxinóis (1957). Compôs ainda músicas para teatro, cinema e festas juninas (ver Noite de São João), além dos conhecidos hinos dos clubes cariocas de futebol. No rádio, onde trabalhou de 1929 a 1963, destaca-se o programa O trem da alegria, que, criado em 1942, com o famoso Trio de Osso (Lamartine, Iara Sales e Héber de Bôscoli, todos magérrimos), permaneceu no ar durante 14 anos.

Barbosa, Haroldo (1915-1979), compositor, jornalista, produtor e diretor de rádio e TV brasileiro, nascido no dia 21 de março de 1915, no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Em 1922, com 7 anos de idade, foi morar em Vila Isabel, identificando-se plenamente com o bairro. Durante o dia, estudava no colégio São Bento; à noite, ia se divertir, tocando cavaquinho com os amigos. Ao completar 18 anos, foi trabalhar como contra-regra na Rádio Philips, substituindo o irmão, Evaldo Ruy Barbosa, no Programa Casé, do qual participavam grandes nomes do mundo artístico, inclusive Noel Rosa, que conhecera nas rodas de Vila Isabel.

Em 1934, trabalhava nas duas audições semanais do Programa Casé e atuava como repórter do jornal A Noite. Quando o programa foi transferido para a Rádio Sociedade, ele foi junto e organizou a discoteca da emissora, passando a atuar também como locutor. Mais tarde, exerceu as mesmas funções nas rádios Transmissora, Cruzeiro do Sul, Clube do Brasil e, finalmente, na Nacional, para onde foi a convite de Oduvaldo Cozzi, quando a emissora era líder de audiência em todo o Brasil.

Na Nacional, escreveu para O grande teatro, de César Ladeira, um dos maiores sucessos do rádio; organizou uma orquestra sinfônica com 68 integrantes que já atuavam na emissora; e criou, especialmente para Francisco Alves, o programa A canção romântica, que deu novo impulso à carreira do cantor (o sucesso fez com que passasse a secretariar o “Rei da Voz” e produzisse versões para suas gravações). Também dirigiu e produziu o mais caro programa da emissora, Um milhão de melodias, no qual muitos cantores faziam questão de se apresentar.

Na Rádio Mayrink Veiga, para a qual se transferiu depois, tornou-se responsável por diversos programas de humorismo e lançou dois grandes nomes da área: Chico Anysio e Sérgio Porto. Os programas Esse Norte é de morte, A cidade se diverte, Alegria da rua, Vai da valsa, Levertimentos, Da boca pra fora, Aí vem dona Isaura, Divertimentos A-9 e O calouro Nivaldino foram alguns de seus sucessos na PRA-9 e na Rádio Tupi, em parceria com José Mauro e Max Nunes

Em 1957, Haroldo Barbosa já fazia algumas produções na televisão. Fixou-se mais na TV Rio, onde dividiu a produção do Chico Anysio show com seu protagonista (o programa, dirigido por Carlos Manga, foi o primeiro gravado e editado em videoteipe no Brasil). Para a mesma emissora, produziu ainda Noites cariocas, O riso é o limite, Domingo alegre e Meio século de espetáculos. Em 1963, integrou a equipe que fundou a TV Excelsior, onde escreveu A vila dos D’Ávila, Espetáculos Tonelux e, em dupla com Max Nunes, a grande produção musical de João Roberto Kelly, dirigida por Carlos Manga: Times Square. Em 1965, foi contratado pela TV Globo e, mais uma vez com Max Nunes, produziu Bairro Feliz, Sinal aberto, Globo music-hall, Oh, que delícia de show!, Balança mas não cai, Faça humor, não faça guerra, Satiricon e Planeta dos homens.

Como compositor, seu primeiro sucesso foi a marcha Barnabé (em parceria com Antônio Almeida), uma sátira ao funcionalismo público que se tornou sinônimo dessa categoria. Outras de suas obras famosas são: De conversa em conversa (com Lúcio Alves), Joãozinho Boa Pinta (com Geraldo Jacques) e Canção da manhã feliz, Notícia de jornal, Só vou de mulher, Devagar com a louça, Meu nome é Ninguém, Nossos momentos e Não se aprende na escola (todas com o pianista Luiz Reis). É autor também de versões famosas, como as de Malagueña, Adiós, pampa mía e Adiós, muchachos, entre tantas consagradas.

Haroldo foi membro do Conselho Deliberativo da União Brasileira de Compositores, cronista de rádio no jornal Diário da Noite e colunista de turfe do Globo (a coluna “Pangaré” durou décadas). Faleceu no dia 5 de setembro de 1979. De seus quatro filhos, apenas Maria Carmem seguiu seu caminho, indo trabalhar em televisão, onde tornou-se autora de novela em 1966 com Salsa e merengue, em parceria com Miguel Falabella.

 Casé, Ademar (1902-1993), radialista brasileiro, pai do diretor de teatro e TV Geraldo Casé e avô da atriz Regina Casé. Criador da primeira grande atração do rádio no Brasil, o Programa Casé, começou sua carreira vendendo aparelhos radiofônicos de porta em porta. Sua técnica de vendas era inusitada: deixava o rádio na casa do freguês em potencial e quando voltava, dias depois, a venda estava garantida. Por seu grande sucesso como vendedor, teve acesso à direção do fabricante dos aparelhos, a Philips, com a qual conseguiu o aluguel de duas horas semanais em sua emissora.

Em 1932, colocou no ar o Programa Casé, que lançaria nomes como Almirante, Nássara, Sady Cabral e Haroldo Barbosa, entre outros. No Programa Casé, famosíssimo nos anos 1930 e 1940, Nássara criou o primeiro jingle brasileiro, Noel Rosa foi contra-regra e Carlos Lacerda, locutor. Mais vendedor do que artista, Casé foi um pioneiro do rádio, combinando tino comercial e bom humor.

 Cardoso, Elizeth (1918-1990), cantora popular brasileira do subúrbio carioca, chamada a Divina e batizada Elisete Moreira Cardoso. Aos 15 anos começou a cantar profissionalmente; apareceu com a gravação Canção do amor (1949), de Chocolate. Nos três anos seguintes trabalhou como contratada da Rádio Mayrink Veiga e da boate Vogue. Participou do primeiro programa carioca de televisão, na Tupi, em 1951, e lançou um de seus maiores sucessos, o samba Barracão, de Luís Antônio e Oldemar Magalhães. Em 1958, atuou em vários filmes e gravou o famoso LP Canção do amor demais, com músicas de Tom Jobim e Vinícius de Moraes e acompanhamento de João Gilberto. Em 1964 deu um recital no Teatro Municipal do Rio de Janeiro onde cantou, a capela, a Bachiana no 5 de Villa-Lobos.

Fez diversos shows no Brasil e no exterior; apresentou programas de TV; gravou mais de 30 LPs no Brasil e vários outros em Portugal, Argentina, México, Uruguai e Venezuela. Entre suas interpretações destacam-se: Carinhoso, de Pixinguinha e Braguinha; Mulata assanhada, de Ataulfo Alves, Sei lá Mangueira, de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, e Serenata do adeus, de Vinícius de Moraes.

 Cavalcanti, Flávio (1923-1986), jornalista e apresentador de rádio e televisão carioca. Começou a sua carreira em meados da década de 1940, fazendo reportagens e crônicas para o vespertino A Noite e o matutino A Manhã. Teve uma rápida passagem pela Rádio Tupi em 1948, escrevendo sobre música erudita para um programa comandado por sua esposa, Belinha. O sucesso chegou junto com Discos impossíveis, que foi ao ar em 1954 pela Rádio Mayrink Veiga e no qual fazia bem-humorados comentários sobre gravações não comerciais. Logo em seguida, foi convidado a levar o programa para a Rádio Nacional, onde apresentou também o Recreio nacional, um misto de música popular e curiosidades instrutivas. Em 1958, entrou na TV Tupi do Rio, onde programas como Um instante, maestro e A grande chance criaram para ele uma imagem de defensor da moral e da pureza da música popular brasileira (chegava a quebrar em público os discos de que não gostava). Foi odiado pela intelectualidade, mas seus programas, nos quais sempre se fazia acompanhar por um júri formado por personalidades em evidência na época, gozavam de grande popularidade. Com a falência da TV Tupi, transferiu-se para a Rede Bandeirantes e, posteriormente, para o SBT, nas quais não conseguiu reeditar o sucesso do passado. Tinha estreitas ligações com o grupo político de Carlos Lacerda.

 Chacrinha (1917-1988), nome pelo qual o irreverente comunicador pernambucano Abelardo Barbosa de Medeiros ficou conhecido a partir da década de 1940, quando, entediado com a mesmice da programação de rádio da época (ver Rádio no Brasil), criou um programa de Carnaval para a Rádio Clube de Niterói, instalada em uma chácara próxima ao cassino de Icaraí, chamado Rei Momo na Chacrinha. A idéia foi o maior sucesso e, com o nome de Cassino do Chacrinha, introduziu o conceito de programa de auditório no país. Fez também um grande sucesso na televisão, onde começou a trabalhar desde os seus primórdios, comandando programas como Rancho Alegre e Discoteca do Chacrinha para a TV Tupi e a Rede Globo. Com roupas espalhafatosas, a sua inseparável buzina e as sensuais chacretes (nome com o qual batizou suas dançarinas), atraiu também o interesse da intelectualidade, particularmente dos tropicalistas, que viam nele uma das mais perfeitas traduções da brasilidade (é citado, por exemplo, em Aquele abraço, de Gilberto Gil). Quando morreu, uma multidão, calculada em 30 mil pessoas pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, se apertou pelos corredores do Cemitério São João Batista para se despedir do “Velho Guerreiro”. Em 1997, sua viúva, Florinda Barbosa, lançou a biografia Quem não se comunica se trumbica, assim titulado em referência a um dos inúmeros bordões criados por Chacrinha.

 Chateaubriand, Francisco de Assis Bandeira de Melo (1892-1968), jornalista e empresário brasileiro, nasceu em Umbuzeiro, Paraíba, e faleceu na cidade de São Paulo. Dono dos Diários e Emissoras Associados, conglomerado jornalístico que chegou a possuir mais de uma centena de jornais, emissoras de rádio, canais de televisão, agências de notícias (ver Agências de notícias latino-americanas) e revistas (entre elas O Cruzeiro, periódico semanal de maior circulação na América Latina). Este império jornalístico propiciou-lhe grande poder político, principalmente entre fins da década de 1930 e início da década de 1960. Foi senador, de 1952 a 1957, e embaixador do Brasil na Inglaterra, de 1957 a 1960. Chateaubriand foi ainda o responsável pela fundação do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

 Andrade, Aurélio de (1917-1997), locutor e apresentador de rádio, nascido em Paraíba do Sul (RJ). Começou sua carreira de radialista quando em todo o Brasil só existiam 61 emissoras, das quais 13 no Rio de Janeiro. Aurélio Cristino Lúcio Cabral de Andrade fez sua estréia na Rádio Tupi em  noite de festa, em 1935, quando teve a honra de apresentar o italiano Guglielmo Marconi, pai do rádio, ao microfone da estação que acabara de ser inaugurada por Assis Chateaubriand. Em seguida, foi para a Rádio Jornal do Brasil substituir o colega e amigo Luiz Jatobá, que estava de mudança para os Estados Unidos. Mais tarde, aceitou o convite para trabalhar na Rádio Nacional, três meses antes de sua inauguração, organizando-a e criando sua programação ao lado de Oduvaldo Cozzi e Celso Guimarães. Foi animador de auditório, rádio-repórter, rádio-ator e responsável pela apresentação inicial do famoso Repórter Esso e também do Correspondente estrangeiro, o primeiro produzido pela United Press e o segundo, pela Associated Press. Na Rádio Nacional, exerceu ainda os seguintes cargos: assistente-geral da direção, diretor comercial, diretor administrativo, diretor da sucursal de São Paulo, diretor de vendas e promoções e gerente-geral.

No exterior, Aurélio de Andrade trabalhou no departamento latino-americano da BBC em Londres, no período da Segunda Guerra Mundial, e depois na CBS-NBC, em Nova York. Nos Estados Unidos, narrou filmes de longa-metragem para a Metro Goldwin Mayer. Na França, reorganizou a seção brasileira da Radiofusion Française. Foi apresentador de noticiários nas TVs Excelsior e Rio e também da Voz do Brasil.

 Cury, Alberto (1926-1998), nome artístico do locutor, narrador e apresentador brasileiro de rádio e televisão Adir José Curi. Nasceu e faleceu em Caxambu, Minas Gerais, para onde voltou após se aposentar, em 1993. Começou no rádio em 1944, na vaga de seu irmão Jorge, que havia se transferido para o Rio de Janeiro com o fim de assinar contrato na Rádio Nacional. No dia 24 de julho de 1958, também chegava ao Rio, contratado como locutor pela mesma emissora que o irmão. Sete meses depois, transferiu-se para a Rádio Jornal do Brasil, onde ficou até 1972, ao mesmo tempo em que foi contratado pela Agência Nacional, do Governo federal, pela qual transmitiu as mais importantes cerimônias oficiais realizadas no Brasil, com diversos presidentes da República, e também o Ato Institucional N.º 5, irradiado em cadeia nacional de rádio e televisão.

Participou de inúmeros programas de TV, entre eles Grandes reportagens e Diário de um repórter, de David Nasser, e Programa Flávio Cavalcanti. Foi diretor da Rádio Tupi e um dos mais laureados locutores do rádio brasileiro.

Clair, Janete (1925–1983), nome artístico de Janete Emer Dias Gomes, a autora brasileira de novelas mais popular de todos os tempos. Começou no rádio ainda menina, interpretando canções árabes e francesas em Conquista do Sul, Minas Gerais, onde nasceu e viveu até se mudar com a família para São Paulo. Aprendeu a escrever à máquina aos 16 anos, no escritório de uma torrefação, já em São Paulo. Três anos depois, reconciliada com suas primeiras inclinações, submeteu-se a um teste para radioatriz na Rádio Tupi Difusora e, aprovada, lá também trabalhou como locutora, sob a orientação de Cacilda Becker.

Conheceu Dias Gomes nos corredores da rádio e, depois de namorarem quatro anos, casaram-se e foram morar no Rio de Janeiro, onde ela deu prioridade à casa e aos filhos. O marido perdeu o emprego em 1956 e ela, com o pseudônimo de Janete Clair – inspirado em uma canção de Claude Debussy de que gostava muito, Clair de lune –, escreveu sua primeira novela de sucesso para a Rádio Nacional: Perdão, meu filho. Como costumava acontecer com as heroínas de suas histórias, o triunfo maior não veio de imediato para ela: só foi se afirmar como a mais popular autora de novelas quando já estava na televisão, na qual começou com O acusador, na TV Tupi, na década de 1960.

Sua primeira experiência na Rede Globo foi em 1967, quando Daniel Filho e Glória Magadan a chamaram para assumir Anastácia, a mulher sem destino, uma trama com muitos personagens e cenas externas que só foi cair no gosto do público quando, com um furacão, ela reduziu a história a um núcleo central. A consagração veio com Irmãos Coragem, primeira novela brasileira a ser exportada, depois regravada na década de 1990. O ponto alto da sua carreira foi Selva de pedra, que alcançou a marca de 100% de audiência no capítulo clímax, de número 152. Um câncer no intestino a impediu de acabar a novela Eu prometo, que estava apenas no começo quando ela morreu.

 Farney, Dick (1921-1987), nome artístico do cantor, instrumentista e compositor brasileiro Farnésio Dutra e Silva, nascido no Rio de Janeiro. Estreou como cantor em 1937 na Rádio Cruzeiro do Sul, interpretando Deep purple, de David Rose. No ano seguinte, foi para a Rádio Mayrink Veiga, onde cantava músicas norte

-americanas, acompanhando-se ao piano. Na década de 1940, apresentou-se no Cassino da Urca, como integrante da Orquestra de Carlos Machado, e em muitas casas noturnas do Rio de Janeiro e de São Paulo, como pianista e crooner.

Em 1946, lançou sua primeira gravação de sucesso, o samba-canção Copacabana, de João de Barros e Alberto Vieira. Participou de vários filmes, entre eles Somos dois (1950), de Milton Rodrigues; Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle e Perdidos de amor (1953), de Eurides Ramos. Em 1959, apresentou o programa Dick Farney show, na TV Record de São Paulo, e, em 1965, participou da inauguração da TV Globo do Rio de Janeiro, onde, durante seis meses, fez o programa Dick e Betty 17, ao lado de Betty Faria.

 Clark, Walter, (1936-1997), executivo de TV brasileiro. Foi quem deu o pontapé administrativo e artístico inicial, de 1965 a 1977, para que a Rede Globo se tornasse a maior potência da televisão brasileira, feita com um profissionalismo que a coloca em padrão internacional, o chamado Padrão Globo de Qualidade (ver Televisão no Brasil). Depois de trabalhar em rádio e publicidade, em 1956, entrou para a TV Rio, emissora na qual chegou ao cargo de diretor-geral, criando uma programação de sucesso, que incluía a Discoteca do Chacrinha. Em 1965, iniciou sua fase na Globo, criando marcos da TV brasileira como o Jornal nacional e o Fantástico. Foi demitido da emissora em 1977 – sendo sucedido por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni – e, de 1981 até sua morte, passou pela Bandeirantes, novamente pela TV Rio e pela Fundação Roquette Pinto, sem repetir as façanhas de sua temporada na Globo. Publicou uma autobiografia, O campeão de audiência, em 1991.

 Domingues, Heron (1924-1974), radialista e apresentador de TV brasileiro. Heron Lima Domingues começou no rádio por acidente. Quando ainda vivia no Rio Grande do Sul, foi fazer um teste como cantor na Rádio Gaúcha no dia do ataque japonês à base militar americana de Pearl Harbor. Como o locutor da emissora não estava presente, ele leu a notícia, iniciando uma carreira de sucesso.

Apresentou o famoso noticiário Repórter Esso no rádio e na TV, narrou os jornais cinematográficos da Atlântida e foi uma das marcas registradas do Jornal nacional, da Rede Globo. Como locutor ou apresentador de telejornais, anunciou ao país momentos históricos como o bombardeio nuclear de Hiroshima, a renúncia do presidente Jânio Quadros e o estouro do escândalo do caso Watergate – a renúncia do presidente americano Richard Nixon, que foi a última grande notícia que leu no ar. O irrequieto Heron Domingues foi ainda produtor, redator e diretor de programas jornalísticos.

 Clodovil (1937- ), figurinista brasileiro, nascido em Elisiário, São Paulo. Em 1956, foi para a cidade de São Paulo e, aos poucos, conquistou espaço no mundo fechado da alta-costura. Tornou-se  um dos nomes mais expressivos da moda brasileira (ver Indústria da moda). Sua polêmica carreira como apresentador de rádio e televisão começou na Rádio Jovem Pan, em 1968. Porém, a censura federal proibiu o programa alegando que ele fazia  apologia do homossexualismo. Nos anos 1980, Clodovil teve muito sucesso em um quadro de moda do programa TV Mulher, da Rede Globo. Criador de um estilo próprio, crítico severo de quem não segue os padrões de elegância que, em sua opinião, não se resumem, apenas, a “vestir-se bem”, Clodovil preside, atualmente, a Associação de Alta Moda Brasileira (AAMBRA) que visa divulgar e valorizar a moda brasileira no exterior.

 Gabus Mendes, Cassiano (1929-1993), autor brasileiro de televisão, nascido em São Paulo. Ingressou na TV antes mesmo de sua inauguração, em 1950. Era ator e autor de rádio, quando foi convidado a fazer parte da equipe pioneira da TV Tupi, em São Paulo. Ali, foi sonoplasta, contra-regra, ator, locutor, produtor de teleteatros e shows, chegando a diretor artístico. Criou um dos primeiros seriados da televisão nacional, Alô, doçura, estrelado por Eva Wilma e John Herbert.

Em 1975, escreveu sua primeira novela, Anjo mau, para a TV Globo. Dizia que foi a maneira que encontrou de ficar ligado à televisão sem a obrigação de comparecer diariamente à emissora. A novela foi ao ar no ano seguinte e bateu todos os recordes de audiência no horário – o último capítulo atingiu o índice de 93 pontos. No seu currículo, inlcui-se uma lista de sucessos, como Marron Glacé, Que rei sou eu?, Champagne e Ti-ti-ti. Em 1998, a Globo exibiu uma nova versão de Anjo mau.

 Gabus Mendes, Otávio (1906-1946), jornalista, radialista, roteirista e diretor de cinema, nascido em Dourados, interior de São Paulo. Iniciou sua carreira como crítico de cinema das revistas Para Todos e Cinearte, nas quais se notabilizou por defender o cinema brasileiro, incentivando a arte e a produção. Foi um dos pioneiros do rádio, veículo em que trabalhou como locutor, redator, radioator, sincronizador, produtor e diretor.

Em 1936, organizou a discoteca da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Na mesma época, lançou os primeiros programas de auditório e de calouros na Rádio Record. No cinema, escreveu Ganga bruta, de Humberto Mauro. Em 1929, dirigiu seu primeiro filme, As armas, na Cruzeiro do Sul, em São Paulo. Em 1931, realizou na Cinédia, no Rio de Janeiro, Mulher, um dos primeiros filmes eróticos do cinema nacional com trilha sonora. No ano seguinte, fez uma adaptação modernizada de Senhora, de José de Alencar, intitulada Onde a terra acaba, com Carmen Santos no papel principal.

 Gagliano Neto (1911-1974), locutor esportivo brasileiro de rádio, nascido em Recife, Pernambuco. Leonardo Gagliano Neto iniciou a carreira na Rádio Cruzeiro do Sul, na capital paulista, em que transmitiu o Campeonato Sul-americano de 1936, em Buenos Aires, uma das primeiras transmissões feitas do exterior para o rádio brasileiro. Em 1938, ingressou na Rádio Clube do Brasil, levando Renato Murce para a direção artística da emissora e conseguindo a exclusividade da irradiação da Copa do Mundo daquele ano, que lhe deu grande popularidade.

Levou para a Rádio Clube do Brasil um grande elenco, incluindo nomes como Francisco Alves, Linda e Dircinha Batista, Conjunto Regional de Benedito Lacerda, As Irmãs Pagãs, Gastão Formenti e ainda uma orquestra de salão regida pelo maestro Arnold Gluckman. Atuou também nas rádios Mayrink Veiga, Nacional e Globo, saindo desta em 1948 para fundar a Rádio Continental, a primeira emissora no Brasil a fazer do esporte sua atração permanente. Lá, atuava como diretor geral e locutor chefe do departamento de esportes.

Foi locutor de futebol até 1950, quando se transferiu novamente para São Paulo, onde transmitiu corridas de cavalos, esporte pelo qual sempre fora um apaixonado.

 Galhardo, Carlos (1913-1985), nome artístico do cantor brasileiro Castelo Carlos Guagliardi, nascido em São Paulo. Foi considerado um dos quatro grandes, ao lado de Sílvio Caldas, Orlando Silva e Francisco Alves. Foi este último quem o incentivou a tentar o rádio e trocar a carreira de alfaiate pela de cantor, em 1933, após ouvi-lo interpretar a música Deusa, de Freire Júnior. Nesse mesmo ano, começou a fazer parte do coro que acompanhava as gravações da Victor e gravou o primeiro disco com os frevos Você não gosta de mim, dos Irmãos Valença, e Que é que há?, de Nelson Ferreira, que fizeram muito sucesso em Recife, Pernambuco. No carnaval de 1934, destacou-se com a marcha Carolina, de Bonfiglio de Oliveira e Hervé Cordovil, também gravada na Victor.

Em 1935, estreou como cantor romântico, cantando a valsa-canção Cortina de veludo, de Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago, que foi seu primeiro grande sucesso no novo gênero, a que se seguiram, entre outros, Chão de estrelas, de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, e Valsa dos namorados, de Silvino Neto. Durante quase toda a década de 1950, trabalhou como maestro e músico da Rádio Nacional de São Paulo e da TV Paulista.

 Galvão Bueno (1950- ), locutor esportivo brasileiro, o mais popular da televisão brasileira. Carioca da Tijuca, antes de começar a carreira no jornalismo esportivo Carlos Eduardo Santos Galvão Bueno foi jogador e treinador de basquete em Brasília, onde seu trabalho passou praticamente despercebido.

Transferiu-se para São Paulo a fim de estudar Educação Física, mas um concurso para comentarista esportivo, promovido pela Rádio Gazeta em 1984, iria mudar o rumo da sua vida. Foi também nessa rádio que narrou as suas primeiras corridas automobilísticas, às quais teria o seu nome definitivamente associado, tanto por ter acompanhado a ascensão de Ayrton Senna como por ter dois filhos pilotos.

Em 1978, teve o seu primeiro emprego como narrador na Rede Bandeirantes e, no mesmo ano, começaria a mostrar para todo o Brasil, durante a Copa da Argentina, o estilo que iria fazer dele “um vendedor de emoções”, como ele mesmo gosta de se definir. Em 1981, transferiu-se para a Rede Globo, mas só iria se tornar a grande estrela da casa no final da década de 1980.

O grande momento da sua carreira foi em 1994, quando remou contra a maré de pessimismo que cercou a Copa dos Estados Unidos e narrou as participações do Brasil torcendo nervosamente para que a seleção ganhasse. Conheceu na ocasião os maiores índices de audiência de sua carreira.

 Garcia, Isaurinha (1923–1993), cantora brasileira, nascida em São Paulo. Em 1938, foi contratada pela Rádio Record, onde permaneceu toda a carreira, consagrando-se como uma das cantoras mais populares dos anos 1940-1950. Em seu repertório predominavam criações de Carmen Miranda e Araci de Almeida, que influenciaram seu estilo.

Apelidada de “A Personalíssima” pelo apresentador Blota Jr., gravou muitos sucessos com sua voz marcante, de timbre agudo e anasalado, e seu sotaque bem paulista. Em uma excursão a Recife, em meados da década de 1950, conheceu o organista Walter Wanderley, com quem viria a se casar e gravar alguns discos, entre eles Sem personalíssima, Saudade querida, A pedida é samba, Sambas da madrugada e Atualíssima. Em 1970, lançou Chico Buarque/Noel Rosa na voz de Isaura Garcia e aposentou-se da Rádio Record, mas continuou a se apresentar em shows.

 Giacometti, Michel (1929-1990), etnomusicólogo luso-francês. Nasceu em Ajaccio (Córsega), estudou na Suécia e doutorou-se na Sorbonne (Paris). Percorreu todo o Portugal, dedicando-se à busca e à gravação do canto tradicional luso, especialmente o das regiões do Baixo Alentejo e de Trás-os-Montes. Um dos amigos que fez em Lisboa foi o maestro Fernando Lopes-Graça, um eminente conhecedor da música tradicional portuguesa, com quem colaborou até ao fim da vida.

Gravou centenas de exemplos de música e colecionou numerosos instrumentos musicais tradicionais. Autor de uma série de documentários televisivos destinados à Radiotelevisão Portuguesa, denominada Povo que canta, editou com Lopes-Graça a obra Cancioneiro popular português, livro profusamente ilustrado com fotografias de instrumentos e exemplos musicais. O seu espólio conserva-se no Museu da Música Portuguesa, com sede na Casa Verdades Faria, em Cascais.

 Golias, Ronald (1929- ), comediante brasileiro. Foi alfaiate, funileiro e participou do grupo de acrobacias aquáticas Aqualoucos. Em seguida, entrou para o rádio, onde conheceu Manuel da Nóbrega, que, impressionado com seu talento, lançou-o e orientou-o na carreira na TV. No cinema (ver Cinema brasileiro), participou de chanchadas como Os três cangaceiros (1961) e de comédias dos anos 1960, como Marido barra limpa (1967), mas nunca mostrou a graça simpática e cheia de “cacos” que cativou os telespectadores.

Na televisão, estreou, em 1956, na Praça da Alegria, programa de Manuel da Nóbrega em que lançou Pacífico, tipo que se tornou famoso com o bordão “ô Cride”. Criou também Carlos Bronco Dinossauro, personagem mais divertido de A família Trapo, seriado que estreou em 1967, na TV Record. Seu único fiasco foi Superbronco, uma cópia da série norte-americana Mork and Mindy, criada por Boni, na Globo, em 1979. Ainda é hoje a maior atração de A praça é nossa, no SBT.

 Gonçalves, Dercy (1908- ), nome artístico da brasileira Dolores Costa Gonçalves, atriz cômica de cinema, teatro, rádio e televisão. Nasceu em Santa Maria Madalena, no estado do Rio, e atuou em peças como Uma certa viúva, Um marido pelo amor de Deus, A dama das camélias e Dercy biônica. Entre 1965 e 1968, trabalhou como apresentadora de TV, em programas como Dercy beaucoup e Dercy de verdade.

Após algum tempo afastada da tela pequena, reapareceu na novela Deus nos acuda (1993), de Sílvio de Abreu. Ao longo de sua carreira, criou uma longa galeria de personagens burlescos e marcou presença com um estilo próprio, baseado na irreverência e nas falas improvisadas, os populares “cacos”. Entre os numerosos filmes em que atuou, destacam-se Samba em Berlim e Caídos do céu (1946), de Luís de Barros, A baronesa transviada (1957), de Watson Macedo, e Cala a boca, Etelvina (1958) e Minervina vem aí (1959), de Eurides Ramos.

 Gonzaga, Adhemar (1901-1978), cineasta e jornalista brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro, cidade onde, nos anos 1920, formou o primeiro clube de cinema do país, o Paredão. Criou a prestigiada revista Cinearte (1926-1942), que defendia para o cinema brasileiro padrões estéticos semelhantes aos dos filmes norte-americanos. Fez estágios em Hollywood e fundou, em 1930, os estúdios da Cinédia (ver Cinema brasileiro), primeira tentativa de industrializar a produção cinematográfica no país.

Produziu mais de 50 filmes de diretores como Humberto Mauro e Luís de Barros. Dirigiu, entre outros, o drama Barro humano (1928) e quatro comédias musicais que inspirariam as chanchadas dos anos 1950, com destaque para o clássico Alô, alô, carnaval (1935), estrelado por Carmen Miranda e outros ídolos do rádio. A Cinédia sobreviveu até os dias atuais, servindo principalmente à televisão e abrigando precioso arquivo sobre o cinema no Brasil.

 Gouveia, Evaldo (1930- ), compositor brasileiro, nascido em Iguatu, Ceará, cujo nome completo é Evaldo Gouveia de Oliveira. Iniciou sua carreira musical em Fortaleza, onde formou, com Mário Alves e Epaminondas de Sousa, o Trio Nagô. Ao excursionar pelo Rio de Janeiro e por São Paulo, o trio foi contratado pela Rádio Jornal do Brasil, do Rio, onde se fixou, além de manter um programa semanal na Rádio Record de São Paulo durante vários anos (o trio se desfez em 1962).

A primeira música de Evaldo Gouveia a ser gravada (por Nelson Gonçalves) foi uma parceria com Gilberto Ferraz, Deixe que ela se vá. Em 1958, o compositor conheceu o letrista Jair Amorim, começando então uma longa parceria que deu origem a muitos sucessos, como Alguém me disse (1960, gravação de Anísio Silva), Garota moderna (gravada por Wilson Simonal, 1965), O conde (por Jair Rodrigues, 1969) e Bloco da solidão (1971).

 Hertz, Heinrich (1857-1894), físico alemão. Esclareceu e ampliou a teoria eletromagnética da luz, demonstrando que a eletricidade pode se transmitir em forma de ondas eletromagnéticas. Estas experiências conduziram-no à descoberta do telégrafo e do rádio sem cabos. A unidade de freqüência foi chamada de hertz em sua homenagem.

 Hora, Rildo (1939- ), instrumentista, compositor e cantor brasileiro, nascido em Recife, Pernambuco. Em 1958, formou com Sérgio Leite e Luís Guimarães o trio Malabaristas da Gaita (ver Harmônica), aproveitando a grande aceitação desse instrumento nos programas radiofônicos. No ano seguinte, fez sua primeira composição com Gracindo Júnior, Brigamos com o amor, gravada por Carminha Mascarenhas.

Na época da bossa nova, passou também a tocar violão e a cantar. Em 1961, compôs com Clóvis Melo Canção que nasceu do amor, lançada por Cauby Peixoto. Acompanhou Elizeth Cardoso como violonista em shows por todo o Brasil, de 1965 a 1967. Em 1968, iniciou a carreira de produtor de discos, aceitando o convite de Geraldo Santos para trabalhar na RCA. Estudou então Harmonia, Contraponto e Composição na Pró-Arte com o maestro Guerra-Peixe. Compôs com Sérgio Cabral Janelas azuis, gravada em 1973 por Maria Creusa.

 Jabor, Arnaldo (1940-), cineasta e jornalista brasileiro nascido no Rio de Janeiro. Após breves passagens pelo rádio e pelo teatro, iniciou-se como técnico em filmes do cinema novo. Foi aluno do cineasta sueco Arne Sucksdorff. Dirigiu o documentário Opinião pública (1967) no modelo do cinema-verdade e a alegoria Pindorama (1970), situada no século XVI, mas voltada para o Brasil contemporâneo. Realizou as melhores adaptações de peças de Nelson Rodrigues para o cinema, Toda nudez será castigada (1973) e O casamento (1975). Sua “trilogia do apartamento” (Tudo bem, 1978; Eu te amo, 1980; e Eu sei que vou te amar, 1984) é um panorama eloqüente das relações afetivas e entre classes sociais no Brasil da época. Dono de opiniões polêmicas, em 1982 pediu o banimento das pornochanchadas (ver Cinema brasileiro) e afirmou que “quem precisa de arte são os milionários; artista precisa é de dinheiro”. A partir de 1991, trocou o cinema por crônicas mordazes sobre cultura e política brasileiras em jornais e televisão.

 Jackson do Pandeiro (1919-1982), nome artístico de José Gomes Filho, cantor, instrumentista e compositor brasileiro, nascido em Pernambuco. Foi um dos maiores intérpretes dos ritmos nordestinos. Na infância, tocava zabumba acompanhando a mãe, cantora de cocos. Tinha então o apelido de Jack, por ser muito magro e lembrar um ator norte-americano de faroeste, Jack Perry. Em Recife, virou Jackson quando começou a cantar no rádio, tocando pandeiro.

Em 1953, gravou seu primeiro LP em 78 rpm, com o xaxado Sebastiana e o rojão Forró em Limoeiro, seguidos de A mulher do Aníbal e Um a um. Transferiu-se em seguida para o Rio de Janeiro, onde continuou a gravar cocos e rojões, entre os quais destacam-se O canto da ema, Chiclete com banana e Cabo Tenório. Lançou também sucessos de carnaval, como Vou gargalhar (1955) e Vou ter um troço (1961), e animou forrós no rádio e na televisão, acompanhado de sua mulher, Almira.

 Jararaca e Ratinho, dupla brasileira de músicos humoristas, formada por José Luís Rodrigues Calazans (1896-1977), cantor de emboladas e compositor alagoano, e Severino Rangel de Carvalho (1896-1972), compositor e saxofonista sergipano. Foram de Recife para o Rio em 1922, com o conjunto musical Os Turunas Pernambucanos. A dupla, nascida com a dissolução do grupo, fez grande sucesso com seus números musicais entremeados de quadros humorísticos. Faziam

o caipira do centro-sul e o sertanejo nordestino.

Jararaca e Ratinho gravaram discos e apresentaram-se no Cassino da Urca e em teatros e circos por todo o Brasil. Atingiram o auge entre 1936 e 1945, período em que tiveram seu próprio programa na Rádio Nacional (ver Rádio no Brasil), com índice de 70% de audiência. Em 1951, estrearam na televisão no programa A-E-I-O-Urca, da TV Tupi. Embora já esquecida pelo público, a dupla só se desfez com a morte de Ratinho, em 1972.

Seus principais sucessos são Mamãe eu quero (1937), marcha carnavalesca de Jararaca; Saxofone, por que choras? (1930), choro de Ratinho; e Meu pirão primeiro (1932), batucada da dupla. Mamãe eu quero, levada para os Estados Unidos por Carmen Miranda, ganhou uma versão norte-americana difundida internacionalmente na voz de Bing Crosby.

 Jatobá, Luiz (1915-1981), locutor, narrador e jornalista brasileiro de rádio e televisão, nascido em Maceió. Começou sua carreira radiofônica incentivado por uma namorada que elogiava muito a sua voz. Em 1935, através de um anúncio do Jornal do Brasil, que então inaugurava a sua emissora (ver Rádio no Brasil), inscreveu-se num concurso para locutores e foi o escolhido entre 20 finalistas, lendo o soneto As pombas, de Raimundo Correia.

Em seu programa de estréia, selecionava discos clássicos e, entre uma música e outra, fazia comentários a respeito das mesmas, com informações que tirava dos livros. Paralelamente, estudava Medicina Ortopédica, matéria na qual, após formar-se, foi fazer pós-graduação nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, escreveu reportagens para jornais cariocas e para a revista Manchete. Em 1940, quando apresentava sozinho A hora do Brasil, aceitou o convite para ser locutor da Columbia Broadcasting System (CBS), em Nova York, e de lá mandar notícias sobre a Segunda Guerra para seu país, o que fez também para a Metro Goldwin Mayer.

Retornou, em 1950, ao receber o convite de Frederico Chateaubriand, sobrinho do proprietário dos Diários Associados, Assis Chateaubriand, para participar da inauguração da TV Tupi do Rio, tornando-se o apresentador do primeiro noticiário da televisão brasileira. Em 1951, transferiu-se para a Rádio Mayrink Veiga, onde apresentou com sucesso os programas Coisas do mundo e Vai da valsa. Foi contratado pela Rádio Nacional, em 1958, como locutor e narrador e lá ficou até 1960. Pouco depois, estreou na TV Excelsior, participando de programas dirigidos por Fernando Barbosa Lima, ao lado de Sérgio Porto, João Saldanha, Jacinto de Thormes, Gilda Müller e dos bonequinhos de Borjalo, cujas vozes eram criadas por Célio Moreira, irmão de Cid Moreira.

Em 1969, foi para a TV Globo com a mesma equipe, acrescida de Jorge “Majestade” Silva e Otto Lara Resende. Três anos depois, voltou aos Estados Unidos, onde trabalhou para a Columbia, a Paramount, a Universal Pictures, e a United States Information Agency. Em 1975, veio ao Brasil comemorar seus 40 anos de carreira, sendo recebido no aeroporto por mais de 500 amigos e com uma grande festa no Largo do Boticário, promovida pela TV Globo, em que cantaram para ele Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso, MPB-4, Orlando Silva, Luiz Vieira e Jamelão, entre outros.

De todas as notícias que leu ao longo de sua carreira, Luiz Jatobá considerava a da descoberta da vacina Salk a mais alegre e a do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima a mais triste.

 João da Baiana, nome artístico de João Machado Guedes (1887-1974), compositor popular, cantor, passista e instrumentista brasileiro, nascido no Rio de Janeiro. Introduziu o pandeiro no samba, segundo contava, aos 10 anos de idade, quando saía nos primeiros ranchos carnavalescos do Rio. Foi também o primeiro ritmista que se apresentou raspando a faca no prato. Aprendeu a tocar pandeiro com a mãe, Perciliana de Santo Amaro, uma das “tias” baianas que imperavam na colônia carioca.

Suas primeiras composições foram Pelo amor da mulata (1923) e Mulher cruel (1924), com Donga e Pixinguinha. No mesmo ano ingressou no rádio como ritmista, tocando pandeiro e prato-e-faca em diversas emissoras. Fez parte dos grupos Velha Guarda e Diabos do Céu (1932), dirigidos por Pixinguinha. Em 1940, foi um dos indicados por Villa-Lobos para participar das gravações realizadas no navio Uruguai sob a regência do maestro Leopold Stokovski.

Seu jongo Quê que rê quê quê ficou entre as 16 músicas selecionadas para a edição norte-americana da Columbia intitulada Native brazilian music, com dois álbuns. Em 1954, a Velha Guarda, revivida por iniciativa de Almirante, voltou a se apresentar e a gravar até 1958. Tinha 81 anos em 1968, quando gravou com Pixinguinha e Clementina de Jesus o disco Gente da antiga, no qual canta a chula raiada Cabide de molambo (1932) e o samba-de-roda Batuque na cozinha (sem data).

 Ladeira, César (1910-1969), locutor e produtor brasileiro de rádio, nascido na cidade de Campinas. Era aluno da faculdade de Direito quando, em 1931, ficou seduzido pelo rádio, que começava a tomar um impulso extraordinário em todo o Brasil, e estreou como locutor na Rádio Record. Sua fama transpôs as fronteiras do estado de São Paulo e espalhou-se por todo o país em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, quando sempre à meia-noite, transmitia com entusiasmo as idéias do movimento.

Em 1933, chegava ao Rio de Janeiro para assinar contrato na Rádio Mayrink Veiga, como locutor e diretor artístico. Deu novo ritmo à programação da emissora, dividindo-a em horários definidos e especializados, e um epíteto consagrador a cada artista do seu elenco, como “pequena notável”, para Carmen Miranda; “o cantor que dispensa adjetivos”, para Carlos Galhardo; e “o cantor das mil e uma fãs”, para Ciro Monteiro. Despertou o gosto dos ouvintes para a crônica vibrante, o editorial e o comentário e difundiu programas literário-musicais de fim de noite, estimulando a cultura e colocando a Mayrink Veiga na preferência dos ouvintes.

Locutor mais imitado do rádio brasileiro, em 1948 transferiu-se para a Rádio Nacional, onde apresentou com grande sucesso o programa Seu criado, obrigado, ao lado de Dayse Lúcidi, durante dez anos, e a Crônica da cidade, por 20 anos. Marido da atriz Renata Fronzi, César Ladeira participou ainda de alguns filmes brasileiros e criou a Empresa Brasileira de Comédias Musicais, produzindo o Café Concerto, espetáculo de luxo encenado nas boates cariocas Casablanca e Acapulco. Em 1967, apresentava-se em teatros de comédia na extinta TV Tupi do Rio.

 Lago, Mário (1911- ), ator, compositor, radialista, escritor, poeta e autor teatral brasileiro, nascido na capital do Rio de Janeiro. Como autor de teatro, assinou mais de 20 peças. Como compositor, fez sucessos como Nada além, Amélia e Atire a primeira pedra. Nos anos 1940 e 1950, escreveu para várias emissoras de rádio, sendo seu trabalho mais conhecido a série Presídio de mulheres, apresentada pela Rádio Nacional. Escritor e poeta, publicou onze livros. O mais recente, Em 16 linhas cravadas, foi lançado no final de 1998.

A atividade de ator o tornou popular junto ao grande público. Estreou no teatro, nos anos 1940, e projetou-se no cinema em filmes como Terra em transe, de Glauber Rocha. Atua na televisão, sempre na Rede Globo, desde 1966. Participou de incontáveis telenovelas e atualmente dedica-se mais a participações especiais. Em 1998, atuou na minissérie Hilda Furacão, baseada no romance homônimo de Roberto Drummond, e na novela Pecado capital, remake do original de Janete Clair exibido em 1975-76, além de se apresentar no palco, como showman, em Causos e canções de Mário Lago.

 Lima Duarte (1930- ), nome artístico do ator e diretor brasileiro Aryclenes Venâncio Martins, nascido em Sacramento, Minas Gerais. Um dos raros atores a trabalhar em rádio, televisão, teatro e cinema.

Começou a trabalhar no rádio, aos 16 anos, como sonoplasta, locutor e ator. Foi um pioneiro na televisão: atuou na primeira transmissão de TV no Brasil, em 1950, e, 23 anos depois, na primeira telenovela em cores, O bem-amado. Participou de inúmeras novelas como ator e, como diretor, foi responsável por dois momentos marcantes da televisão brasileira: O direito de nascer, em 1964, e Beto Rockfeller, em 1968, considerada a maior reformulação no gênero.

Na televisão, viveu uma série de personagens de sucesso, como o Zeca Diabo de O bem-amado e o Sinhozinho Malta de Roque Santeiro. No cinema, acha que se saiu bem apenas em Sargento Getúlio, filme de Hermano Penna baseado no livro homônimo de João Ubaldo Ribeiro e premiado em vários festivais internacionais. Integrou, durante nove anos, o grupo Teatro de Arena, de São Paulo.

 Lima, Helena de (1926- ), cantora brasileira, nascida na cidade do Rio de Janeiro. Começou a carreira na década de 1950 na Rádio Nacional, levada por César Ladeira. Foi tipicamente uma artista da noite, preferindo as apresentações em casas noturnas aos shows em teatro e atuando em casas como as cariocas Pigalle e Boate Bacará e as paulistanas Oásis e Captain’s Bar.

Gravou LPs dedicados a Noel Rosa e Ataulfo Alves. Entre os seus grandes sucessos destacam-se a marcha-rancho Estão voltando as flores, de Paulo Soledade; Verdade da vida, de Raul Mascarenhas e Concessa Lacerda; Foi a noite, de Tom Jobim e Newton Mendonça; e Prece, de Vadico e Marino Pinto.

 Lopes, Fernando (1935- ), cineasta português nascido em Alvaiázere (Leiria). Ingressou na Radiotelevisão Portuguesa em 1957 e lá permaneceu até 1964. Nesse meio tempo, cursou a London School of Film Technique e a BBC, tornando-se realizador e montador de curtas-metragens documentais que são do mais interessante que, no gênero, se produziu nos anos 1960. Seus primeiros longas-metragens, Belarmino (1964) e Uma abelha na chuva (1971), são filmes emblemáticos e decisivos do cinema novo português. Fez também publicidade e foi fundador e presidente do Centro Português de Cinema e diretor da revista Cinéfilo (1973-74). No seu regresso à RTP, como diretor de programas nos anos 1980, deu impulso à confirmação de novos cineastas. Também fazem parte de sua filmografia Nós por cá todos bem (1977), Lisboa (1979), Crônica dos bons malandros (1983), Matar saudades (1987), O fio do horizonte (1993) e Se Deus quiser (1996).

 Macedo, Zezé (1925- ), atriz brasileira, nascida Maria José de Macedo em Nossa Senhora da Lapa de Capivari, hoje Silva Jardim, Estado do Rio. Íntima dos palcos amadores desde a infância, firmou seu tipo cômico inicialmente no rádio, no programa Lar doce lar, da Rádio Tamoyo, no Rio de Janeiro. No cinema desde 1954, caiu no gosto popular em chanchadas como O petróleo é nosso, Carnaval em Marte e Sinfonia carioca, de Watson Macedo, e De vento em popa e O homem do sputnik, de Carlos Manga.

Pequena, franzina, de olhos grandes e expressão debochada, consagrou-se com personagens como a empregada ignorante, a caipira falastrona e a mulher rejeitada pela carência de atributos físicos. Contabiliza 108 filmes no currículo, além de muitas participações em novelas e programas humorísticos de televisão desde os anos 1960, com destaque para o Chico Anysio show e a Escolinha do professor Raimundo. Em 1944, redigiu e leu no rádio crônicas sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Publicou quatro livros de poemas.

 Machado, Carlos (1908-1992), maestro e empresário brasileiro do teatro de revista do Rio de Janeiro, apelidado “o rei da noite”, famoso pelos numerosos sucessos que produziu e pelos talentos que revelou.

Nascido Carlos Penafiel Machado em Porto Alegre (RS), nunca teve na verdade qualquer formação musical. Em 1932 foi morar na França, tendo convivido com figuras da noite parisiense, o que lhe possibilitou, ao voltar para o Brasil, criar sua própria orquestra, a Brazilian Serenades. Conta-se que regia empunhando uma maraca. Contava na orquestra com músicos do porte de Laurindo Almeida, Dick Farney e Copinha. A orquestra estreou no Tênis Clube de Petrópolis, em 1939, e começou aí a primeira época de glória de Carlos Machado, apresentando-se no Cassino de Icaraí (Niterói), no Cassino da Urca (Rio) e no Cassino do Hotel Quitandinha (Petrópolis).

Em 1946, um decreto do presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu o jogo no Brasil, acarretando o fechamento dos cassinos. Machado transferiu então suas atividades para as boates, como Monte Carlo, Night and Day, Fred’s, Sacha’s e Casablanca, além do Golden Room do hotel Copacabana Palace. Dirigiu inúmeros espetáculos de teatro de revista, nos quais revelou cantoras como Emilinha Borba, Marlene, Linda Batista, Lourdinha Bittencourt e Marion, e apresentou-se no início da década de 1960 no Radio City Music Hall, em Nova York.

Entre suas montagens de sucesso, sempre com figurinos de sua mulher Gisela, estão Esta vida é um carnaval (1954), Satã dirige o espetáculo (1954), Banzo-ayê, Rio de Janeiro a janeiro e Elas atacam pelo telefone. O teatro de revista entrou em declínio na década de 1960, vítima da concorrência da televisão e da transferência da capital federal para Brasília, o que reduziu a população flutuante do Rio, que constituía grande parte do público daquele tipo de show.

 Magalhães, Yoná (1935- ), atriz brasileira, nascida na cidade do Rio de Janeiro. Em 1953, começou a carreira no rádio, ainda em seu tempo de estudante, e, depois de um teste, passou a atuar na TV Tupi.

Nos anos 1960, tornou-se uma das grandes estrelas das telenovelas. Porém, antes de se transformar em protagonista de folhetins mirabolantes como Eu compro essa mulher (1966), fazendo par com o galã Carlos Alberto, então seu marido, e O sheik de Agadir (1966), viveu um dos papéis principais de Deus e o Diabo na terra do sol (1964), revolucionário clássico do cinema brasileiro, dirigido por Glauber Rocha.

Depois de décadas na tela pequena – em que fez A sombra de Rebeca (1967), O semideus (1973) e A próxima vítima (1996), entre muitas outras –, Yoná permanece sendo um dos nomes mais populares da telenovela brasileira. Também continua atuante em teatro, mas nunca mais fez um papel de peso no cinema.

 Marconi, Guglielmo (1874-1937), engenheiro eletrotécnico italiano, premiado com o Nobel de Física de 1909, junto com o alemão Carl F. Braun. Tornou-se conhecido por inventar o primeiro sistema prático de sinais de rádio.

 Marinho, Irineu (1876-1925), jornalista brasileiro. Nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 19 de junho de 1876, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 21 de agosto de 1925.

Iniciou a carreira jornalística ingressando no Diário de Notícias (1891), passando por outros jornais até tornar-se diretor da Gazeta de Notícias.

Fundou os jornais vespertinos A Noite (1911) e O Globo (1925), este último origem de um grande sistema de comunicação que inclui outras publicações, rádios (ver Rádio no Brasil) e televisões.

 Marion (1924- ), nome artístico da cantora e atriz brasileira Penha Marion Pereira, nascida na cidade de São Paulo. Começou cantando ainda criança, na Rádio Educadora Paulista, no Programa Sônia Carvalho, em 1935. Mais tarde, conheceu o compositor Assis Valente, que a convidou para cantar suas músicas na boate Guarujá, onde fez sucesso. Ao fazer uma visita à família no Rio de Janeiro, assinou contrato para cantar no Cassino da Urca e na Rádio Educadora do Brasil. Em seguida, foi convidada pelo cineasta Moacyr Fenelon para participar como atriz do filme Tristezas não pagam dívidas.

Viajou para Buenos Aires como cantora e vedete do Teatro Maipo. Em 1944, assinou contrato com a Rádio Nacional, onde se destacou cantando sambas, foxtrotes e boleros. Convidada pela Atlântida, protagonizou Este mundo é um pandeiro, em 1946, ao lado de Oscarito.

Viajou com diversas caravanas para divulgar a música popular brasileira no exterior. Em 1965, encerrou sua carreira artística com o espetáculo produzido por Carlos Machado, Rio de 400 janeiros, encenado no Golden-Room do Copacabana Palace.

 Marlene (1924- ), nome artístico da cantora brasileira Vitória Bonaiutti, nascida em São Paulo. Adotou o pseudônimo logo que estreou como profissional, em 1942, na Rádio Tupi. Em 1946, foi contratada pela Rádio Mayrink Veiga e gravou o primeiro disco, pela Odeon, cantando o samba–choro Swing no morro (de Felisberto Martins e Amado Régis) e o samba Ginga, ginga, morena (de João de Deus e Hélio Nascimento). Em 1949, já trabalhando na Rádio Nacional, foi eleita Rainha do Rádio, título que manteve no concurso seguinte, em 1951 (o de 1950 não foi realizado), quebrando assim o ciclo de vitórias das irmãs Linda e Dircinha Batista. Por essa época surgiram os fãs-clubes e as disputas com Emilinha Borba, estimuladas e promovidas pela imprensa. Na década de 1950, fez muito sucesso no cinema e recebeu o diploma de Maior Figura do Rádio Brasileiro do jornal carioca O Diário da Noite.

 Martinho da Vila (1933- ), nome artístico do cantor e compositor carioca Martinho José Ferreira, cuja bem-sucedida carreira de sambista teve início em 1968, com o retumbante sucesso de Pequeno burguês. Depois de uma década em que foi uma presença obrigatória na lista de discos mais vendidos e dos sucessos mais executados nos programas de rádio e televisão, tornou-se mais uma das vítimas dos anos 1980, quando o mercado fonográfico praticamente renegou o samba.

Voltou à cena em 1988, como autor do inesquecível enredo Kizomba, a festa da raça, com o qual a Unidos de Vila Isabel ganhou o primeiro carnaval da sua história. Nesse mesmo ano, gravou Festa da raça, com o qual comemorou a um só tempo a sua entrada na gravadora Sony e o centenário da Abolição. Desse disco, além do samba-enredo campeão Kizomba, fez grande sucesso Xica da Silva, que deu a vitória ao Salgueiro em 1962. Com a afirmação do pagode, voltou com toda força ao mercado em meados da década de 1990, vendendo mais um milhão de cópias de Tá delícia, tá gostoso, no qual se destacam Mulheres e Devagar, devagarinho. Em 1997, a cantora baiana Simone gravou um CD apenas com músicas de Martinho, com o qual fez um enorme sucesso.

 Mayer, Lourdes (1922–1998), atriz brasileira. Atuou em rádio, teatro e televisão. Foi uma das estrelas da época áurea do radioteatro, na década de 1950, ao lado do marido, o também ator Rodolfo Mayer. De uma família de artis

tas, estreou no teatro aos 14 anos. Antes disso, porém, já encenava peças em casa com a irmã, Zilka Salaberry, cobrando ingressos para as apresentações.

 Sua voz grave marcou o radioteatro brasileiro e, mesmo com o declínio do gênero, continuou atuando no rádio até a morte. Manteve um programa diário, de receitas e conselhos culinários, durante 40 anos. Na televisão, participou de inúmeras novelas, como Louco amor, de Gilberto Braga, e a pioneira João da Silva, a primeira novela educativa brasileira, de Jacy Campos. Chefiou o setor de elenco da TV Educativa e, no palco, destacou-se em peças como Em família, Liberdade para as borboletas e Abelardo e Heloisa.

 Mazzaropi, Amácio (1912-1981), ator, radialista e cineasta brasileiro. Nascido em São Paulo, foi ator mambembe e comandou o programa de rádio Rancho Alegre (1947), base de seu personagem no cinema: o caipira ingênuo, católico e sentimental, mas com bom faro para os negócios e sempre bem-sucedido no final. Produziu 26 dos seus 34 filmes e dirigiu ou co-dirigiu 14. Avesso a qualquer sofisticação, mas numa linha próxima de Charles Chaplin, do italiano Totó e de Cantinflas, fez enorme sucesso popular com Sai da frente (1952), Nadando em dinheiro (1952), Candinho (1954), O gato de madame (1956), Chico Fumaça (1958), O corintiano (1966) e a série de filmes sobre o personagem do Jeca, entre outros. Em Portugal, realizou Portugal... minha saudade (1973).

 Medaglia, Júlio (1938- ), maestro e compositor brasileiro, nascido em São Paulo. Participou com destaque dos movimentos revolucionários da música brasileira. Formado na Alemanha pela Escola Superior de Música de Friburgo, foi aluno e assistente de Sir John Barbirolli, além de estudar com Boulez e Stockhausen.

Notável arranjador e orquestrador, também atuou com sucesso na música popular, sendo autor de mais de 200 trilhas sonoras para teatro, cinema e televisão. Ocupou o cargo de diretor da Orquestra de Câmara de São Paulo (1960), da Filarmônica de Berlim (1970) e dos teatros municipais de São Paulo (1985 e 1987) e do Rio de Janeiro, bem como de regente titular da Sinfônica de Brasília (1993). No fim da década de 1990, tornou-se o regente titular da Filarmônica Amazonas, em Manaus. Apresenta um programa na Rádio Cultura FM de São Paulo. Ver também Música popular brasileira.

 Menezes, Carolina Cardoso de (1916- ), instrumentista e compositora brasileira, nascida no Rio de Janeiro. Filha do pianista Osvaldo Cardoso de Menezes, começou a estudar piano aos 13 anos, com Zaíra Braga, e depois com Gabriel de Almeida e Paulino Chaves. Em 1930, formou-se em teoria e solfejo pelo Instituto Nacional de Música. No mesmo ano, participou da histórica gravação do samba Na pavuna (de Almirante e Homero Dornelas), estreando realmente como profissional na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Em seguida, passou por várias outras emissoras de rádio, como Educadora, Philips e Mayrink Veiga (ver Rádio no Brasil). Em 1932, pela Odeon, gravou sua primeira composição: o fox Preludiando. Trabalhou durante nove anos na Rádio Tupi e, em 1949, transferiu-se para a Rádio Nacional, onde ficou até 1968, quando se aposentou. Complementando um trabalho iniciado por Ernesto Nazareth, ajudou a adaptar o chorinho para o piano.

Compôs diversos sambas, choros, foxes e baiões, destacando-se em sua obra Pombo-correio (choro, 1931); Preludiando (fox, 1932); Caboclinha (choro, 1933); Ausência (fox, 1938); Eu e ela (samba, 1958); e Aquela rosa que você me deu (marcha-rancho defendida por Ellen de Lima e classificada em segundo lugar no II Concurso de Músicas de Carnaval do Estado da Guanabara em 1968).

 Messias, José (1928- ), compositor, apresentador e produtor brasileiro de rádio e televisão, nascido em Bom Jardim de Minas, Minas Gerais, cujo nome completo é José Messias da Cunha. De família pobre e extremamente musical – o pai, o tio e o avô eram regentes de banda –, ainda muito jovem começou a compor músicas para blocos de carnaval.

Mais tarde foi para Barra Mansa, onde aprendeu os segredos do picadeiro em pequenas companhias circenses (ver Circo). Chegou à cidade do Rio de Janeiro em 1945 e participou de inúmeros programas de rádio, entre eles Papel carbono de Renato Murce, além de trabalhar no comércio, até ser apresentado ao compositor Herivelto Martins, de quem se tornou secretário.

As portas então se abriram e ele chegou a substituir Grande Otelo em vários espetáculos. Em 1953, conseguiu ter gravada sua primeira composição para o Carnaval, na voz de Heleninha Costa: a Marcha do Coça Roça. Não parou mais de ouvir suas músicas serem interpretadas por artistas famosos, como Marlene, Emilinha Borba, Quatro Ases e Um Coringa e Francisco Carlos. Em 1954, foi nomeado por João Goulart para o Ministério do Trabalho, no Serviço de Recreação Operária, ficando à disposição da Rádio Mauá.

Em 1955, fez sua estréia como apresentador de auditório, na Rádio Mayrink Veiga. Durante dez anos, acumulou a função pública com a direção e a apresentação de programas em diversas emissoras do Rio de Janeiro (ver Rádio no Brasil). Identificado com a juventude da época, conseguiu modificar o panorama musical com a criação, juntamente com Carlos Imperial e Jair de Taumaturgo, da Jovem Guarda. Em seu programa Favoritos da nova geração, lançou então inúmeros cantores ao estrelato, entre eles Roberto Carlos, Clara Nunes, Jerry Adriani e Wanderley Cardoso.

Em 1966, foi contratado pela Rádio Nacional como locutor, apresentador e produtor. Na década de 1970, dividiu seu trabalho na rádio com outros nas duas principais emissoras cariocas de TV: Tupi e Rio. Logo passou a integrar o júri mais disputado da televisão brasileira: o do programa A grande chance, de Flávio Cavalcanti. Em 1972, transferiu-se para a TV Bandeirantes e a SBT e produziu e dirigiu o Clube dos artistas, apresentado pelo casal Aírton e Lolita Rodrigues.

No inicio da década de 1980, ainda sem abandonar a Nacional, tornou-se proprietário de rádios da Região dos Lagos e do Jornal de Negócios, acabando por assumir, em 1990, a superintendência do Sistema Serramar de Comunicações, que abrangia então cinco emissoras, e, em 1998, a Secretaria de Cultura, Educação, Esporte e Lazer de Saquarema.

Tem mais de 200 composições gravadas com cantores como Roberto Carlos, Caetano Veloso, Quarteto em Cy, Sílvio César, Pery Ribeiro, Emilinha Borba, Nelson Gonçalves, Dircinha e Linda Batista, Cauby Peixoto, Clara Nunes e José Ricardo. Recebeu diversos diplomas, troféus e medalhas, entre elas o Prêmio Noel Rosa do Sindicato dos Compositores, o título de Cidadão Benemérito da Cidade do Rio de Janeiro e a Medalha Tiradentes. Na Rádio Nacional, apresentou dezenas de programas, entre eles Show da cidade, Programa José Messias, A hora dos calouros e Viva a Jovem Guarda.

 Miró, Pilar (1940-1997), diretora espanhola de cinema. É conhecida também por seu trabalho político nos primeiros anos do governo socialista na Espanha, quando ocupou a Dirección General de Cinematografía e, a seguir, a da Radiotelevisión Española. Em sua filmografia destacam-se: El crimen de Cuenca (1979), Werther (1986), Beltenebros (1991), El perro del hortelano (1996) e Tu nombre envenena mis sueños (1996).

 Mojica Marins, José (1931-), cineasta e ator brasileiro nascido em São Paulo. Prolífico diretor e produtor de filmes de baixo orçamento, desde aventuras, comédias, policiais e filmes pornográficos até aqueles em que o horror mistura-se ao erotismo. Ganhou fama e confundiu-se definitivamente com o personagem Zé do Caixão, que interpretou nos seus filmes mais cultuados: À meia-noite levarei sua alma (1964), Esta noite encarnarei no teu cadáver (1966) e O estranho mundo de Zé do Caixão (1967). Com sua capa preta, sua cartola e suas unhas descomunais, Zé do Caixão é um sádico dono de funerária que desafia as forças sobrenaturais em busca da mulher ideal. Seus filmes fazem sucesso no circuito alternativo internacional. Eventualmente, José Mojica apresenta programas de rádio e televisão voltados para o terror e a cultura trash.

 Monteiro, Dóris (1934- ), cantora e atriz brasileira, nascida Adelina Dóris Monteiro na cidade do Rio de Janeiro. Começou apresentando-se em programas de calouros ainda na adolescência, até se fixar na Rádio Tupi, ao mesmo tempo em que cantava na boate do hotel Copacabana Palace. Em 1951, veio seu primeiro sucesso, Se você se importasse (de Peter Pan).

Estreou no cinema em 1953, em Agulha no palheiro, de Alex Viany, em que interpretava a canção-título. Outro grande sucesso veio em 1955, com Dó-ré-mi, de Fernando César, a que se seguiram Mocinho bonito (1956), de Billy Blanco; O que eu gosto de você (1963), de Sílvio César; Samba de verão (1964), de Marcos e Paulo Sérgio Vale; e Mudando de conversa (1969), de Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho.

É considerada uma precursora da bossa nova, por sua voz suave e seu estilo contido de cantar. No cinema, apareceu ainda em Rua sem sol (de Alex Viany, 1954), Tudo é música (de Luís de Barros, 1957) e De vento em popa (de Carlos Manga, 1957).

 Montenegro, Fernanda (1930-), nome artístico de Arlete Pinheiro Monteiro Torres, atriz brasileira de rádio, teatro, cinema e televisão, sempre apontada entre as mais importantes e talentosas atrizes do país e considerada a grande dama do teatro do país. Nascida na cidade do Rio de Janeiro, começou sua carreira na Rádio Ministério da Educação. Em 1959, com seu marido, Fernando Torres, Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto e outros, montou o Teatro dos Sete, que seria responsável por algumas das melhores encenações da época. Nesta empresa ou em outras, a convite, viria a realizar interpretações sempre citadas e elogiadas, como em A moratória, de Jorge Andrade; Vestir os nus, de Pirandello; A profissão da sra. Warren, de Dürrenmat; O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues; As lágrimas amargas de Petra von Kant, de Fassbinder; e Dona Doida, de Adélia Prado.

São igualmente destacadas suas participações em novelas, seriados e especiais de televisão e no cinema, como em Eles não usam black-tie, (1981), de Leon Hirszman, e Central do Brasil (1997), de Walter Salles Jr., pelo qual recebeu, entre outros, o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim (1998) e os prêmios de melhor atriz do ano do National Board of Review (associação norte-americana de críticos de arte), dos críticos de cinema de Los Angeles e da Associação Paulista de Críticos de Arte (1998), além de conseguir o feito até então inédito no Brasil de concorrer ao Oscar (1999) de melhor atriz, que só uma artista de língua não inglesa, a italiana Sophia Loren, alcançou.

 Moreira da Silva (1902- ), cantor e compositor brasileiro, nascido no Rio de Janeiro. Antônio Moreira da Silva começou a carreira em 1931, gravando dois pontos de macumba, na Odeon, onde também gravou o segundo disco. Em 1933, foi para a Columbia e gravou as músicas Arrasta a sandália, Vejo lágrimas, É batucada e Tudo no penhor. Mais tarde, voltaria à Columbia para gravar, entre outras, Implorar, que teve grande repercussão no carnaval de 1935.

Em 1936, estreou no Programa Casé, da antiga Rádio Philips (ver Rádio no Brasil), onde cantava músicas do repertório de Francisco Alves. Em 1937, começou a cantar na Rádio Mayrink Veiga. Consta ser dessa época a descoberta do samba de breque Jogo proibido, de Tancredo Silva, considerado por alguns pesquisadores como o primeiro desse estilo musical. Consagrador do samba de breque, “Kid Morengueira”, como ficou conhecido, teve inúmeros sucessos no gênero. Em 1996, a Editora Record lançou o livro de Alexandre Augusto intitulado Moreira da Silva — O último dos malandros.

 Morelenbaum, Henrique (1931- ), nome adotado por Saul Hertz Lorelenbaum, violinista, regente e professor polonês, naturalizado brasileiro em 1947. Um dos melhores regentes da atualidade no Brasil e professor disputado, formou-se em Composição, Regência, Violino e Viola na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde fez vários cursos de especialização. Integrou o Quarteto da Rádio MEC (1959-1960) e o da Escola Nacional de Música da Universidade de Brasília (1960-1963), com o qual realizou concertos pela América do Sul e a Europa.

Em 1972, recebeu da Associação Paulista de Críticos de Arte o Prêmio Villa-Lobos, como melhor regente do ano. Foi o único maestro brasileiro convidado para a temporada de balé da Ópera de Paris, em 1973. Maestro da Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, professor do Instituto Villa-Lobos e professor das cadeiras de Harmonia Superior, Contraponto e Fuga da Escola Nacional de Música, gravou, entre outros discos, Música imperial, Credo e Mandu-çaracá. É pai do também músico Jaques Morelenbaum.

 Morita Akio (1921-), homem de negócios japonês, fundador da Sony Corporation. Seu primeiro triunfo, em escala mundial, foi um transístor de rádio em miniatura, em 1955. Também desenvolveu e produziu artigos inovadores, como o walkman e o videocassete.

 Morricone, Ennio (1928-), compositor e arranjador italiano de grande produtividade, especialista em trilhas cinematográficas.

Trabalhou também para rádio, televisão e teatro, sempre como compositor e arranjador. Compôs a trilha musical de inúmeros filmes de diretores italianos como Sergio Leone, Pier Paolo Pasolini e Bernardo Bertolucci. Para o cinema norte-americano, compôs músicas com temas populares e de inspiração folclórica.

 Murce, Renato (1900-1987), radialista brasileiro, nascido na cidade do Rio de Janeiro. Em seus 58 anos de atividade no rádio, recebeu, entre outros títulos e prêmios, a Grande Comenda da Ordem do Mérito do Trabalho, outorgada pelo governo, e a Grande Medalha do Mérito do Rádio, conferida pela Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert).

Estreou em 1924, aceitando o convite do amigo Roquette Pinto para apresentar um programa operístico na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Muito ligado aos movimentos líricos no Brasil, estudou canto com a professora italiana Climene Baroni. Foi o organizador do primeiro programa folclórico de rádio no Brasil, tendo como companheiros Patrício Teixeira, Gastão Formenti, Rogério Guimarães e Mozart Bicalho.

Formou um conjunto típico regional, Os Gaturamos, e trabalhou como jornalista nos jornais A Rua, A Notícia, Rio-Jornal, O Imparcial e Diário Carioca. Em 1930, venceu o concurso promovido pelo Diário Carioca para eleger o Príncipe dos Cantores Regionais do Brasil.

Em 1932, apresentou pela primeira vez no palco as escolas de samba Mangueira, Vai Como Pode, Portela e Unidos da Tijuca, com a presença de Paulo da Portela. No final da década de 1930, aceitou o convite de Gagliano Neto e foi para a Rádio Clube do Brasil, onde trabalhou durante oito anos e relançou alguns programas que já haviam feito sucesso em outras emissoras, como Antigamente, Cenas escolares (que depois se transformou em Piadas do Manduca e ficou 25 anos no ar), Alma do sertão e PRK-20. Com a colaboração do pianista José Maria de Abreu e do regional de Benedito Lacerda, estreou Papel carbono, revelando, logo no primeiro programa, o comediante José Vasconcelos e o cantor e sanfoneiro Luís Gonzaga e César de Alencar, então estreando como locutor de comerciais.

Em 1945 foi para a Rádio Nacional, levando toda a sua produção de sucessos. O programa Papel carbono revelou artistas como Adelaide Chiozzo, Ângela Maria, Ellen de Lima, Rosita Gonzalez, Juanita Castilho, Aracy Costa, Dóris Monteiro, Joelma, Ivon Cury e Ademilde Fonseca, sendo por isso cognominado o “Ziegfeld brasileiro”. Foi casado com a atriz de cinema Eliana. Em 1976, lançou o livro Bastidores do rádio (Fragmentos do rádio de ontem e de hoje).

 Ned, Nelson (1947- ), cantor e compositor brasileiro, nascido em Ubá, Minas Gerais. Nelson Ned d’Ávila Pinto interessou-se por música desde criança, tendo estudado com a própria mãe. Gravou sua primeira composição, Tamanho não é documento (parceria com Hamilton Gouveia Bastos), em 1968, na Chantecler. No mesmo ano, venceu o I Festival de la Canción, em Buenos Aires, com Tudo passará, de sua autoria.

A partir de 1969, passou a cantar e gravar não só na América Latina, mas também nos Estados Unidos, na Europa e na África, além de apresentar-se freqüentemente em programas de rádio e televisão brasileiros. Ganhou sete discos de ouro no Brasil e no exterior. Suas composições foram gravadas, entre outros, por Matt Monro, Mantovani, Moacyr Franco, Agnaldo Timóteo e Antônio Marcos.

 Nepomuceno, Eric, (1948-), contista, ensaísta e jornalista brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro, onde vive. É jornalista e trabalhou como correspondente internacional em diversos países. Em estilo simples e conciso, seus contos refletem os dramas de sua geração - violência, solidão e medo -, singularizando-se pelo lirismo: "O rádio anunciava perigos, a moça de vestido verde tinha olhos enormes que também estavam cheios de perigo, mas ele mal percebia tudo isso." Publicou, entre outros livros, Memórias de um setembro na praça (1979), A palavra nunca (1985), 40 dólares e outras histórias (1987), Coisas do mundo (1994), A mulher do professor (1996). Dedica-se também à tradução.

 Novaes, Carlos Eduardo (1940-), cronista, jornalista, roteirista de rádio e televisão e dramaturgo brasileiro. Natural do Rio de Janeiro. Seus textos apresentam linguagem clara e popular, pleno de humor (ver Humor na literatura). Satirizam a política nacional e o cotidiano das grandes cidades brasileiras, criticando a sociedade ("A elegância da nossa PM deixou a todos embasbacados. Acredito mesmo que com essas inovações e esse guarda-roupa a PM será o grande su desta temporada democrática que se aproxima."). Sua lista de títulos, alguns com edições sucessivas, apresenta, entre outros O caos nosso de cada dia (1974), A história de Cândido Urbano Urubu (1975), O balé quebra-nós (1979), A próxima novela (1988), É dando que se recebe (1994).

 Nunes, Max (1922- ), humorista e compositor brasileiro,  nascido no bairro de Vila Isabel, na cidade do Rio de Janeiro. Max Newton Nunes começou a carreira na Rádio Guanabara ainda menino, como cantor e violonista. Formou-se em Medicina, mas, embora tenha exercido essa profissão, destacou-se mesmo como redator de programas humorísticos na Rádio Nacional, onde era chamado pelos amigos de “o gargantinha de veludo”.

Foi criador do Balança mas não cai, que se tornou um paradigma do humor tanto do rádio como da televi

são. Entre os seus quadros mais famosos está o dos personagens Primo Rico e Primo Pobre, interpretados por Paulo Gracindo e Brandão Filho, respectivamente. Foi no mesmo Balança mas não cai que criou e popularizou a expressão Mengo, aférese de Flamengo (ver Principais clubes brasileiros de futebol), que fazia parte do bordão do personagem Peladinho. Foi também autor de algumas obras-primas da música popular brasileira, como Bandeira branca, que fez em parceria com Laércio Alves.

Entrou para a televisão em 1962, criando os programas Grande revista e My Fair Show e escrevendo para o Times Square, na TV Excelsior. Em 1964 foi para a Rede Globo, onde seus principais trabalhos foram como redator dos programas de Jô Soares, com quem se transferiu para o SBT. Em 1996, publicou o seu primeiro livro, Uma pulga na camisola (mesmo título de um programa humorístico que criou para a Rádio Tupi na década de 1950), coletânea de contos, crônicas, poemas, esquetes e muitas frases típicas do seu mordaz humor.

 Oliveira, Dalva de, nome artístico de Vicentina de Paula Oliveira (1917-1972), cantora popular brasileira, nascida em Rio Claro, SP, e famosa pelos vibratos de sua voz de soprano. Em 1936, juntou-se à dupla Preto e Branco (Herivelto Martins e Nilo Chagas), formando o Trio de Ouro, de grande sucesso na década de 1940. São dessa época suas gravações de: Praça Onze (1942), de Herivelto e Grande Otelo, Ave Maria no morro (1943), de Herivelto, e Segredo (1947), de Herivelto e Marino Pinto. O trio se desfez em 1949; dois anos depois, Dalva retomou a carreira; foi eleita rainha do rádio; participou de vários filmes; apresentou-se na Argentina, em Portugal e na Espanha e gravou vários discos em Londres, em que se destaca o baião Kalu (1952), de Humberto Teixeira. Em 1965, sofreu um acidente de carro que a afastou da atividade artística. Retornou em 1970, lançando com sucesso a marcha-rancho Bandeira branca (Max Nunes e Laércio Alves). Voltou a se apresentar em shows e na televisão, até quase o fim da vida.

 Peixoto, Cauby (1935- ), cantor brasileiro nascido em Niterói, Rio de Janeiro, cujo nome completo é Caubi Peixoto Barros. Sua primeira gravação, em 1951, foi o samba Saia branca, de Geraldo Medeiros. Mas somente a partir de 1954, quando foi lançado pela Rádio Nacional, alcançou o grande público, sendo considerado o cantor mais popular do país nos cinco anos seguintes.

Conceição, de Jair Amorim e Dunga, gravada em 1956, pela Columbia, transformou-se no maior sucesso de todo o seu repertório. Gravou mais de cem discos, sendo os mais recentes, Grande emoções (1991), Ângela & Caubi ao vivo (1993, com Ângela Maria) e Cauby canta Frank Sinatra (1995). Entre seus grandes sucessos, destacam-se o fox Blue Gardenia, de Bob Russel e Lester Lee, em versão de Antônio Almeida e Braguinha, Nono mandamento, de René Bittencourt e Raul Sampaio), É tão sublime o amor, de Francis Webster e Sammy Fain, versão de Antônio Carlos, e Maracangalha, de Dorival Caymmi.

 Periscinoto, Alex (1930- ), publicitário paulista, tido como o criador da moderna propaganda brasileira. Filho de imigrantes italianos pobres, começou a vida como operário das indústrias Matarazzo, depois que seus pais deixaram a cidade de Mococa e se mudaram para São Paulo, a fim de que os filhos pudessem estudar. Entrou na publicidade através de um concurso para a criação do design de um ferro elétrico promovido pela Sears, na década de 1950. Cinco anos depois, foi chamado para a Standard, onde, além de ganhar um salário dez vezes maior, teve a oportunidade de ser layoutman.

Trabalhou em seguida no Mappin, uma das maiores lojas de departamentos da cidade de São Paulo. Foi como funcionário dessa empresa que viajou para os Estados Unidos, onde descobriu o conceito de dupla de criação, que deu ao ilustrador, até então um escravo do redator, o status de diretor de arte.

Na década de 1960, associou-se ao publicitário Alcântara Machado, com quem transformou a Almap numa das maiores agências de propaganda do país. Alguns dos seus clientes acompanham-no há cerca de 30 anos, como a Volkswagen e a Kibon. Em 1988, a globalização levou a Almap a associar-se à BBDO, uma das maiores agências de propaganda do mundo. No final desse processo, concluído em cerca de dez anos, vendeu as suas ações para a BBDO e abriu outra empresa.

É considerado uma pessoa extremamente bem-humorada e um grande contador de “causos”, grande parte dos quais registrados no livro de memórias Mais vale o que te ensinam do que o que se aprende e também relatados em um programa diário que mantém na Rádio Jovem Pan de São Paulo, chamado O bilhete do Alex.

 Perlingeiro, Aérton (1921-1996), apresentador e produtor brasileiro de rádio e televisão, nascido na cidade de Miracema, no estado do Rio. Em 1943, entrou para a Rádio Transmissora, a convite de Renato Murce. Em seguida, foi para a Rádio Clube Fluminense, já como apresentador e produtor dos próprios programas.

Em 1946, ingressou na Rádio Clube do Brasil, onde apresentou Fim de semana e Aérton Perlingeiro. Em 1952, levou o programa com seu nome para a Rádio Tupi, onde também se destacou como apresentador de Calouros Toddy, antes apresentado por Ari Barroso.

Quando a TV Tupi do Rio foi inaugurada, em 20 de janeiro de 1951, recebeu convite para participar de sua programação. Logo projetou-se nacionalmente com o AP show e o Almoço com as estrelas, que apresentava com a mulher, Aziza, e em que promovia o teatro brasileiro. Instituiu o maior troféu dos Diários Associados, com o nome de Assis Chateaubriand.

Em 1978, realizou um grande sonho: seu programa alcançou as mil apresentações e incontáveis artistas de rádio, teatro, cinema, televisão e gravadoras compareceram à Tupi para abraçá-lo. Revelou artistas como Elza Soares, Pedrinho Rodrigues e Elza Laranjeiras.

 Popov, Aleksandr Stepanovitch (1859-1906), engenheiro russo que inventou um tipo de receptor de rádio.

 Porto, Rui (1927-1990), jornalista e radialista brasileiro que, mesmo sendo contador e advogado por formação, sempre teve sua vida ligada ao futebol. Gaúcho de Garibaldi, mudou-se em 1951 para o Rio de Janeiro, onde logo estava trabalhando na Rádio Mayrink Veiga. Foi narrador esportivo durante muito tempo, mas, ao perceber o crescente prestígio dos comentaristas, mudou de função. Também comandou diversos programas esportivos na televisão. Foi ainda um homem da noite, que gostava de freqüentar festas e reuniões da alta sociedade, sobre as quais escreveu na coluna Rio-Norte-e-Sul, publicada diariamente no jornal O Globo ao longo de nove anos.

 Porto, Sérgio (Stanislaw Ponte Preta) (1923-1968), cronista e jornalista brasileiro. Notabilizou-se com o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta. Nasceu no Rio de Janeiro, onde faleceu aos 45 anos, de enfarte, enquanto jogava futebol na praia de Copacabana. Com estilo irônico e irreverente, sua crônica levou-o do jornal para o livro e, posteriormente, para o rádio, cinema (ver filme), teatro e televisão. Satirizou os costumes e a política nacional de sua época. "Depois de Olegário Mariano fui o que mais fez pelas cigarras. (...) Um dia, ao canto das cigarras, impôs-se o ruído da campainha." Publicou, entre outros livros, Tia Zulmira e eu (1961), A casa demolida (1963), Garoto linha dura (1964), Febeapá (2 volumes, 1966/1967), As cariocas (1967), Na terra do crioulo doido (1968).

 Rei, Rui (1915-1995), nome artístico do cantor, músico e compositor brasileiro Domingos Zeminian, nascido na capital do estado de São Paulo. Cresceu cantando nos cabarés da cidade, como crooner do conjunto dos irmãos Cópia. Em 1940, assinou seu primeiro contrato com a Rádio Tupi, atuando com o nome artístico de Domingos Lima, e, logo depois, passou pelas emissoras Difusora e Kosmos, ao mesmo tempo em que se apresentava no noite, cantando ou tocando saxofone, com a Orquestra Século XX, de J. França.

Em 1943, mudou-se para o Rio de Janeiro, contratado para se apresentar no Cassino Copacabana. No ano seguinte, aceitou o convite de Haroldo Barbosa e foi para a Rádio Nacional. Sua popularidade como cantor cresceu na emissora e logo ele gravou seu primeiro disco, pela Continental, com o bolero Nadie, de Agustín Lara. Em 1948, fundou a Orquestra Rui Rei, destacando-se com os ritmos latino-americanos (ver Música latino-americana) que faziam sucesso então no Brasil.

Em 1949, gravou sua primeira composição em parceria com Rutinaldo Silva: Naná. No inicio da década de 1950, foi um dos mais populares artistas do rádio brasileiro, chamado por César de Alencar de “el querido cantor de las Américas”. Participou de quase todos os filmes da Atlândida, como ator e chefe de orquestra, entre eles Este mundo é um pandeiro (1947), Carnaval no fogo (1949) e Aviso aos navegantes (1952).

Foi criador de sucessos para o Carnaval e, em 1948, fez o povo cantar a marcha de Braguinha e Antônio Almeida A mulata é a tal. Artista plástico autodidata, expôs seus quadros em várias exposições de pintura no Rio de Janeiro. Deixou gravados dezenas de discos de 78 rotações por minuto e diversos LPs com sua orquestra.

 Ribeiro, Ivani (1922-1995), nome artístico da autora brasileira de novelas Cleyde Alves Ferreira, nascida em Santos, São Paulo. Começou escrevendo para o rádio, onde havia estreado como cantora. Uma das pioneiras da televisão, escreveu, ao longo de sua carreira – que solidificou em emissoras de São Paulo –, 41 novelas, um recorde até hoje não superado.

Suas novelas sempre foram sucesso de público, especialmente quando abordavam temas que estavam entre os seus preferidos: os fenômenos paranormais e o misticismo, presentes em novelas como O profeta e A viagem. Esta última e Mulheres de areia, foram levadas ao ar, novamente, pela Rede Globo, em versões atualizadas pela autora, em 1993 e 1995, respectivamente. O remake de Mulheres de areia foi exibido na Rússia, com grande sucesso.

A preocupação com a preservação do meio ambiente e da cultura indígena também foram temas de Ivani, em novelas como Aritana. Em Os estranhos, de 1969, a autora contou com um ator muito especial no elenco: Pelé, em participação especial.

 Rockefeller, John Davison, Jr (1874-1960), industrial norte-americano, filho de John Davison Rockefeller. Em 1930, começou a construir um enorme complexo imobiliário em Nova York, conhecido como Centro Rockefeller ou Radio City. Entre suas atividades filantrópicas, destaca-se a doação de terrenos em Nova Iorque para a construção da sede da Organização das Nações Unidas (ONU).

 Rodrigues, Jair (1939- ), cantor e compositor brasileiro, nascido em Igarapava, São Paulo, cujo nome completo é Jair Rodrigues de Oliveira. Em 1962, estreou na Rádio Tupi, em São Paulo, e gravou o primeiro disco. Dois anos depois, gravou o LP Vou de samba com você pela Philips, lançando seu nome nas paradas de sucesso. Em 1965, gravou com Elis Regina o Dois na bossa, que se tornou um dos discos mais vendidos do Brasil. Passou então a apresentar com a cantora o programa O fino da bossa, na TV Record. Em 1966, no II Festival da Música Popular Brasileira da emissora (ver Festivais de música), defendeu a canção Disparada, de Geraldo Vandré e Téo de Barros, que dividiu o primeiro lugar com A banda, de Chico Buarque.

Sua primeira composição foi Na brincadeira do mundo, feita em 1969 com Carlos Odilon e incluída no disco Jair de todos os sambas, no qual também gravou outro grande sucesso, Casa de bamba, de Martinho da Vila. Intérprete sobretudo de sambas, notabilizou-se como um dos cantores que mais vendem no país.

 Rodrigues, Lupicínio (1914-1974), compositor popular brasileiro nascido em Porto Alegre, famoso por seus sambas-canções marcados pela desilusão amorosa. Suas músicas chegaram ao Rio de Janeiro levadas pelos marinheiros que as ouviam nos cabarés gaúchos. Em 1938, Ciro Monteiro gravou Se acaso você chegasse; o sucesso projetou o nome de Lupicínio em todo o Brasil. No ano seguinte, visitou o Rio pela primeira vez. No Café Nice, conheceu os principais cantores do rádio carioca, entre eles Francisco Alves, que seria um de seus grandes intérpretes.

Compôs clássicos como Nervos de aço (1947), Esses moços e Quem há de dizer (1948). Em 1951, Vingança, lançado por Linda Batista, alcançou um extrordinário sucesso de público; vários suicídios cometidos na ocasião foram atribuídos a essa música, que canta o amor traído em versos desvairados. Suas músicas foram inúmeras vezes regravadas por diversos cantores, inclusive Gal Costa e Maria Bethânia. A partir de 1959, Jamelão tornou-se seu maior intérprete, destacando-se dessa parceria as gravações de Exemplo (1960) e Torre de Babel (1964).

Rodrigues, Washington (1936- ), comentarista esportivo brasileiro. Washington Carlos Nunes Rodrigues, também conhecido como Apolinho, nasceu no Rio de Janeiro. Começou a carreira na Rádio Nacional, onde tornou-se conhecido do grande público na condição de repórter de pista, entrevistando os jogadores dentro de campo e detalhando os lances de área mais perigosos, dos quais tinha privilegiada visão atrás do gol. Para exercer essa função, tinha que usar uma série de aparelhos eletrônicos e, por causa deles, ganhou o apelido de Apolinho – uma referência aos astronautas que conquistaram a Lua, na década de 1960, com o projeto Apolo.

Na década de 1980, juntamente com o narrador José Carlos Araújo, formou uma das duplas mais populares do jornalismo esportivo brasileiro. Seus comentários foram sempre caracterizados por um humor tipicamente carioca e pela utilização de expressões que caíram na boca do povo, como “briga de cachorro grande” (jogo do qual participam dois grandes times) e “fio desencapado” (adversário sem tradição, mas difícil de ser batido).

Seu conhecido amor pelo Flamengo fez com que Kleber Leite, presidente do clube de 1995 a 1999 e também homem de rádio, o contratasse para ser treinador em um momento em que o time ia mal no Campeonato Brasileiro, em 1996. Teve então o grande mérito de unir o grupo e reabrir o diálogo com a torcida e com a imprensa, além de levar a equipe para as finais da Supercopa, que, no entanto, acabou não ganhando. O mesmo Kleber Leite o chamou para ser supervisor de futebol em 1998, quando o Flamengo, mais uma vez, atravessava um difícil momento no Campeonato Brasileiro.

Washington Rodrigues é também publicitário e tem uma agência de propaganda.

 Rosinha de Valença (1941- ), nome artístico da instrumentista, cantora e arranjadora brasileira Maria Rosa Canelas, nascida em Valença, Rio de Janeiro. Começou a carreira na década de 1950, tocando no rádio em sua cidade natal. Em 1963, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde Sérgio Porto apresentou-a aos músicos e às casas noturnas cariocas. Foi ainda Sérgio Porto que teve a idéia do nome Rosinha de Valença, com o qual passou a ser conhecida. Ainda em 1963, gravou o primeiro disco, Apresentando Rosinha de Valença, pela Elenco, com produção de Aluísio de Oliveira.

No ano seguinte, tocou no Fino da bossa, apresentou-se com o grupo de Sérgio Mendes nos Estados Unidos e fez shows na Europa e em Israel. Na década de 1970, acompanhou grandes nomes da música popular brasileira, como Martinho da Vila e Beth Carvalho. Em 1975, gravou o LP Rosinha de Valença e banda. Gravou mais de uma dezena de discos no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

Em 1992, teve complicações cerebrais após sofrer um infarto e entrou em coma.

 Saldanha, João (1917–1990), o “João Sem Medo”, um dos personagens mais fascinantes da história recente do Brasil, com marcantes passagens pelo jornalismo, pelo futebol e pela política. De tão agitada, a vida de João Alves Jobim Saldanha, gaúcho de Alegrete, chega a ter um aspecto pitoresco, próximo do inverossímil. Dizia, por exemplo, que já lutava na clandestinidade aos seis anos de idade, ajudando o pai a contrabandear armas para os maragatos nas sangrentas pelejas que sacudiram o Rio Grande do Sul no início do século XX.

Embora fosse um homem de família rica, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro em 1935 e, durante todo o Estado Novo, iria ser um ativo líder estudantil, tendo inclusive recebido um tiro no peito durante um congresso da UNE. O jornalismo entrou por acaso em sua vida na década de 1940, quando foi estudar História na França e recebeu convite de um de seus colegas de turma, o italiano Sandrino Saverio, para fazer reportagens sobre a destruição da Europa para uma agência de notícias de sua família.

Quando voltou ao Brasil, aceitou convite do amigo Carlito Maia para dirigir o departamento de futebol do Botafogo em 1948, sagrando-se campeão carioca logo no primeiro ano (ver Principais clubes brasileiros de futebol). No entanto, só iria iniciar a sua carreira como treinador do clube em 1957, lá ficando até 1960, época durante a qual montou um dos melhores times da história do Botafogo, com Nilton Santos, Didi, Quarentinha, Zagalo e, acima de todos, Garrincha.

Antes de sair do clube, já tinha iniciado a sua vida como comentarista esportivo, trabalhando na Rádio Nacional. Seus comentários lhe deram grande prestígio e, apesar de suas históricas ligações com o Partido Comunista terem lhe custado o emprego na emissora, foi convidado para treinar a seleção brasileira no auge da ditadura militar. Seu time, chamado de “as feras de Saldanha”, classificou-se com históricas goleadas durante as eliminatórias, mas um desentendimento com Pelé, que resolveu barrar por causa de um problema na vista, custou-lhe o cargo três meses antes da Copa do México.

Voltou para o rádio, trabalhou para a televisão e manteve até o fim da vida uma coluna no Jornal do Brasil, começando todos os seus comentários com a saudação: “Meus amigos.” Nas eleições de 1985, foi candidato a vice-prefeito do Rio de Janeiro, cidade onde faleceu, na chapa de Marcelo Cerqueira.

 Sampaio, Sérgio (1947-1994), cantor e compositor brasileiro, nascido em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, cujo nome completo é Sérgio Morais Sampaio. Começou a cantar no rádio, depois de trabalhar cinco anos como locutor em várias emissoras, em 1970. Nesse mesmo ano, conheceu Raul Seixas, que incentivou seu gosto pelo rock – até então estava mais voltado para boleros, baiões, valsas e tangos.

De suas primeiras gravações, destacam-se Coco verde (1968),

No ano 83 (1968), Classificado número um (1972), Não adianta (1972) e Eu quero é botar o meu bloco na rua, que defendeu no VII Festival Internacional da Canção, da TV Globo, em 1972 (ver Festivais de música). Classificada para a final do festival, esta música foi incluída em seu LP de 1973. Em 1975, gravou o samba Velho bandido, de sua autoria.

 Santos, Gerdal dos (1929- ), ator brasileiro, nascido na cidade do Rio de Janeiro. Gerdal Renner dos Santos estreou em 1942, no elenco infantil da Associação Brasileira de Críticos Teatrais e na rádio PRG-3. Com 13 anos de idade, já interpretava textos de autores famosos, ao lado de Paulo Gracindo, Amélia de Oliveira, Ida Gomes, Abel Pêra, Manuel da Nóbrega e Nena Martinez.

Em 1943, participou do filme Moleque Tião, de José Carlos Burle, com Custódio Mesquita, Grande Otelo e Lourdinha Bittencourt. Em 1945, passou a se destacar nas radionovelas da Globo, contracenando com a maior estrela da emissora, Zezé Fonseca. Em 1953, estreou na Rádio Nacional, no programa Consultório sentimental, de Helena Sangirardi. Mais tarde, foi para a TV Rio, atendendo ao convite de César Ladeira e Renata Fronzi, dividindo com o casal a apresentação dos programas Ondas e estrelas e Caboclo aponta o sucesso.

Paralelamente, seguia criando personagens na Rádio Nacional, em títulos como Jerônimo, o herói do sertão; O anjo; e Presídio de mulheres. Participou de programas de grande audiência como A felicidade bate à sua porta, com Yara Salles e Emilinha Borba, e Incrível, fantástico, extraordinário!, de Almirante. Em 1964, com o golpe militar, foi demitido da emissora com mais 35 colegas e, como advogado, passou a defender causas de companheiros de infortúnio, até retornar anistiado em 1970.

 Passou então a apresentar os programas Onde canta o sabiá, criado por Luís Carlos Saroldi, e Parada de todos os tempos, produzido por Osmar Frazão. É membro da Academia Guanabarina de Letras, da Academia Brasileira de Jornalistas e da Academia de Letras e Artes Paranapuã. Também faz parte do Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes e do Salão Poesia e Artes.

 Santos, Moacir (1932- ), compositor e instrumentista brasileiro, nascido em Pernambuco. Começou a tocar clarinete com 11 anos, passando depois para o saxofone. Em 1943, tocou na Rádio Tabajara, em Recife, e, anos depois, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, onde ficou 19 anos, primeiro como músico da orquestra e depois como maestro da rádio. Durante esse período, deu aulas a Nara Leão, Sérgio Mendes, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Nelson Gonçalves e muitos outros. Com Vinícius de Moraes, fez várias composições, como Se você disser que sim e Menino travesso.

Escreveu várias trilhas sonoras para o cinema, entre elas a de Amor no Pacífico, com a qual ganhou o prêmio do Itamarati, que incluía passagens para os Estados Unidos, onde optou por morar. Lá, trabalhou como compositor, instrumentista e professor da escola de Gary Foster por oito anos. Uma das personalidades musicais brasileiras mais importantes do século XX, recebeu no final da década de 1990 a medalha da Ordem do Rio Branco, honraria concedida pelo presidente da República.

 Sargentelli, Oswaldo (1923-), locutor brasileiro de rádio e televisão, empresário ligado ao samba, nasceu em 8 de outubro, no Rio de Janeiro. Sobrinho de Lamartine Babo, iniciou sua carreira na Rádio Guanabara, onde apresentava o programa Viva meu samba. Em 1969, lançou-se no showbiz apresentando-se em boates e churrascarias com a Companhia de Ziriguidum, na época composta apenas por três músicos e três mulatas. Convidado por Ricardo Amaral, levou seu show para a boate Sucata e ganhou fama nacional.

Depois de uma temporada no Café Concerto, em São Paulo, associou-se ao empresário José da Cruz Rajo e abriu sua própria casa de samba, o Oba Oba, no Rio de Janeiro, onde lançou o show As mulatas que não estão no mapa, passando a empregar mais de 150 profissionais, entre músicos, garçons, cozinheiros e 35 mulatas. A casa, que mais tarde ganharia filiais em São Paulo e Salvador, transformou-se em ponto de passagem obrigatória no roteiro de turistas estrangeiros, recebendo visitantes ilustres, como Henry Kissinger, e artistas de renome, como Liza Minelli.

 Silva, Fausto (1950- ), radialista, jornalista e apresentador brasileiro de televisão, iniciou sua carreira aos 15 anos, como repórter da Rádio Centenário de Araras, cidade onde nasceu, no interior de São Paulo. Logo depois, mudou-se para Campinas e trabalhou durante cinco anos na Rádio Cultura, na qual comandou o musical New Pop International. Em 1970, foi contratado pela Rádio Record, na capital paulista, para apresentar o Jornal da noite, do qual era também redator, e se iniciou no mundo do esporte, passando a trabalhar como repórter de campo. Foi nessa função que foi levado para a Rádio Globo, convidado por Osmar Santos.

Em 1982, estreou na televisão apresentando Perdidos na noite, programa de auditório que comandaria durante seis anos, na TV Bandeirantes, com o mesmo estilo irreverente que o consagrou como repórter esportivo. Em 1988, foi para a TV Globo, emissora em que até hoje apresenta o programa de auditório Domingão do Faustão, nas tardes de domingo.

 Silva, Orlando (Orlando Garcia da Silva, 1915-1978), cantor popular brasileiro, nascido no Rio de Janeiro. Chamado o Cantor das Multidões, foi uma das mais belas vozes brasileiras. Surgiu em 1934, descoberto por Bororó e lançado por Francisco Alves em seu programa na Rádio Cajuti. Tornou-se um ídolo popular, chegando a fazer sombra ao próprio Francisco Alves. Foi o primeiro cantor a ter um programa exclusivo na recém-inaugurada Rádio Nacional (1936). Em 1937, mais de 10 mil pessoas se reuniram em frente à sacada do Teatro Colombo para ouvi-lo cantar, um fato inédito na época. A letra de Braguinha (1937) para o choro-canção Carinhoso, de Pixinguinha, foi especialmente feita para Orlando Silva gravar. A partir do final da década de 1940, sua voz extraordinária, sem nenhum preparo técnico, começou a perder o brilho; mas nunca deixou de ser boa. Ele continuou a gravar até quase o fim da vida. Destacam-se: Lábios que eu beijei (1937), Abre a janela (1938), o fox Nada além (1938). Quatro de seus lançamentos foram premiados em 1939: A jardineira, Meu consolo é você, História antiga e Um homem sem mulher não vale nada. A marcha-rancho Malmequer (1940), Aos pés da cruz (1942) e Atire a primeira pedra (1945) também foram grandes sucessos.

 Silvestre, Jota (1923- ), apresentador brasileiro de televisão, nascido em São Paulo. Animador de auditórios de TV responsável por sucessos com fórmulas como O céu é o limite, programa de perguntas e respostas sobre um determinado assunto com grandes prêmios, e Esta é a sua vida, melodramática biografia televisiva de celebridades. A empolgada frase com que anunciava as respostas corretas dos participantes, “absolutamente certo”, ficou famosa.

Começou a carreira como locutor de rádio, sendo também autor de radionovelas, mas sua grande fase é na TV, sempre com variações dos mesmos programas sob nomes diferentes – Show sem limites, por exemplo. Parou nos anos 1970, voltando à televisão em 1981, para apresentar na Globo uma edição especial do Esta é a sua vida, num programa que homenageava Renato Aragão. Com a repercussão do especial, retomou sua carreira – primeiro no SBT e depois na Manchete –, mas sem o sucesso anterior. Em 1977, lançou o livro Como vencer na televisão.

 Soveral, Hélio do (1918- ), escritor e radialista brasileiro de origem portuguesa, nascido na cidade de Setúbal, cujo nome completo é Hélio do Soveral de Oliveira Trigo Aguiar. Chegou ainda jovem ao Brasil e, em 1936, após vencer um concurso de contos na revista Carioca, com Brejo Seco, foi contratado para escrever a seção Por trás do dial.

Trabalhou em seguida na rádio Tupi, onde criou a novela policial (ver Romance policial) As aventuras de Lewis Durban, em parceria com Olavo de Barros. Publicou em 1938 Meu companheiro de trem e Mistérios em alto mar, ambos de contos. Em 1940, foi para a Rádio São Paulo, a convite de Oduvaldo Vianna, e juntos lançaram o Teatro de romance. A parceria rendeu também algumas radionovelas. Dirigiu ainda o programa Teatro para moças e levou o radioteatro às cidades de Franca e Poços de Caldas. Em 1942, era supervisor da Rádio Kosmos. No ano seguinte, mudou-se novamente para o Rio de Janeiro, contratado pela Rádio Nacional, para a qual escreveu as novelas Retrato de Cristina, Jardim das folhas mortas, À margem da vida, As proezas de Raffles e A gata borralheira. Em 1945, foi para a rádio Mauá, onde criou o Teatro experimental do trabalhador, além dos programas Conta gotas e Divertimentos e da novela Pequetita, em que Dircinha Batista estreou como radioatriz.

Foi o produtor responsável pelo maior programa de auditório do rádio brasileiro, o Programa César de Alencar, na Rádio Nacional. Escreveu também para o teatro, entre outras peças A culpa é do coração, Uma noite no paraíso e Fantasma em família. Para o cinema, escreveu o argumento e os diálogos dos filmes Segura esta mulher, Este mundo é um pandeiro, Falta alguém no manicômio e O mundo se diverte, todos da Atlândida; e, para a Flama Cinematográfica, Dominó negro, O falso detetive, De vento em popa, Uma voz no silêncio e Maria Fumaça, no qual Eva Todor estreou no cinema. Foi também redator dos programas de Haroldo de Andrade na TV Tupi e na TV Globo e assinou uma coluna no jornal Última Hora, intitulada Drama e comédia. Em dezembro de 1985, ganhou o título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro, concedido pela Assembléia Legislativa e, no ano de 1993, a Medalha Tiradentes.

 Teodoro, Gontijo (1925- ), locutor, narrador e jornalista brasileiro, nascido em Araxá, Minas Gerais. Logo após seu nascimento, sua família mudou-se para o Rio de Janeiro e, em seguida, para Petrópolis.

Lá, conheceu o jornalista e locutor Ari Vizeu, que o levou para a Rádio Difusora. Depois de uma passagem por emissoras do interior de Minas Gerais e São Paulo, voltou ao Rio e entrou na Rádio Nacional.

Passou pela Rádio Guanabara no final da década de 1940 e pela Rádio Mauá, onde trabalhou ao lado do então iniciante Sílvio Santos. Com a estréia da TV Tupi no Rio de Janeiro (ver Televisão no Brasil), Luiz Jatobá levou-o para o vídeo, onde passou a apresentar o Repórter Esso, noticioso que, no rádio, era transmitido por Heron Domingues.

Trabalhou no departamento sul-americano da BBC de Londres e da ORTF, organização que congrega todas as emissoras de rádio e TV da França. Tem diversos livros lançados e adotados em cursos de Jornalismo. Em 1997, apresentou um programa com seu nome na Rádio Nacional e, logo a seguir, foi para a Rádio Bandeirantes com uma produção noticiosa.

 Valadão, Jece (1930- ), ator, cineasta e produtor cinematográfico brasileiro, nascido Gecy Valadão em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo. Foi locutor de rádio e ator teatral e estreou no cinema em 1949, na chanchada Carnaval no fogo, da Atlântida. Atuou em filmes clássicos de Jorge Ileli (Amei um bicheiro) e Nelson Pereira dos Santos (Rio 40 graus, Rio Zona Norte, Boca de Ouro), consolidando o tipo machista e mau-caráter em Os cafajestes, de Ruy Guerra.

Fundou a Magnus Filmes em 1960, passando a produzir e atuar simultaneamente. Foi premiado pela interpretação de um cafetão boçal em Navalha na carne (1970), de Braz Chediak, baseado na peça homônima de Plínio Marcos. Debutou na direção com Procura-se uma Rosa (1964) e, desde então, dirigiu policiais de apelo popular, como História de um crápula (1965) e Os amores da pantera (1975). Dono de um dos mais extensos currículos do cinema brasileiro, atuou também em telenovelas e minisséries, além de produzir programas evangélicos.

 Valle, Luciano do (1947- ), narrador esportivo e empresário brasileiro. Começou a carreira fazendo transmissões de rádio em Campinas, sua cidade natal. Em 1971, foi para a Rede Globo de Televisão, onde ganhou projeção nacional (ver Televisão no Brasil). Depois da Copa do Mundo de 1982, transferiu-se para a TV Record e, em seguida, para a Rede Bandeirantes, onde acumulou a função de diretor de esportes à de narrador. Seu trabalho dominou parte significativa da programação da emissora, que, durante quase uma década, teve como slogan “o canal dos esportes”.

Foi sempre um grande incentivador dos esportes amadores e desempenhou importante papel na queda do monopólio do futebol na programação esportiva das emissoras de TV. Acompanhou de perto a popularização do vôlei na década de 1980 (ver Esporte no Brasil), abriu generoso espaço para a ascensão do pugilista Maguila, lançou no país as transmissões da Fórmula Indy (ver Automobilismo) e do basquete profissional norte-americano, além de dar destaque ao futebol feminino.

É também empresário e, como tal, promoveu uma série de torneios esportivos, entre os quais o mais importante foram os que envolveram a seleção brasileira de futebol de masters, da qual chegou a ser treinador. Teve um canal de televisão a cabo nos Estados Unidos, que, no entanto, não deu certo.

 Vianna, Mário (1902-1989), árbitro brasileiro de futebol e comentarista esportivo de rádio e televisão. Mário Gonçalves Vianna foi da Polícia Especial no Estado Novo, período no qual participou de uma briga famosa com o lendário malandro Madame Satã. O jovem parrudo, que praticava remo no São Cristóvão, se tornou juiz de futebol ainda nos anos 1930 e ganhou fama de imparcial e brigão.

 Pioneiro no comentário esportivo sobre arbitragem, criou expressões que se tornaram famosas, como “la mano”, “gol legal” e “banheira” (ver Jargão futebolístico). O que ele dizia no ar sempre caía na boca do povo – como seu nome “Mário Vianna, com dois enes” ou o bordão “falou, tá falado”. Com a cabeça raspada, a voz possante e o ar nervoso, Mário Vianna foi figura muito popular no rádio e na TV até os anos 1980. Morador da Urca, no Rio de Janeiro, sempre deu aula de natação para as crianças do bairro.

 Vianna, Oduvaldo (1892-1972), dramaturgo, empresário e radialista brasileiro. Em 1921 fundou, com Nicolino Viggiano, o Teatro Trianon de São Paulo, "em nome de um autêntico teatro brasileiro, na linguagem e na cena". Organizou a Empresa Abigail Maia, dirigiu a Cia Brasileira de Comédias (1923), a Escola Dramática do Rio de Janeiro (1935-1940) e a Rádio Pan-Americana. Escreveu sobretudo comédias, operetas e revistas, com a preocupação da comunicabilidade fácil e da valorização de tipos e características nacionais. Entre suas obras destacam-se Amor de bandido (1917), A vida é um sonho (1921), Amor (1934), Feitiço (1938), Canção da felicidade (1939) e Manhãs de sol (1941). Para o cinema escreveu, entre outras, Bonequinha de seda (1936).

 Vieira, Luiz (1928- ), cantor e compositor brasileiro nascido em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. No entanto, em entrevista à Revista do Disco, em 1953, declarou: “Meu espírito pertence ao Nordeste, meu espírito nasceu em Caruaru de Viseiras e andou perambulando muito tempo por aquelas terras, daí a facilidade que possuo de compor e interpretar coisas sobre aquele torrão brasileiro”.

Em 1943, Luiz Rattes Vieira Filho disputava prêmios em programas de calouros, trabalhava em uma oficina mecânica e cantava de noite no Cabaré Novo México. Em 1946, abandonou os reparos de automóveis e passou a se apresentar na Rádio Clube do Brasil, no programa Manhãs na roça, de Zé do Norte, cantando músicas nordestinas. Mais tarde foi para a Rádio Tamoio, participou ativamente do programa Salve o baião, ao lado de Carmélia Alves e Luís Gonzaga. Recebeu no programa Vesperal das moças o título de Príncipe do Baião, com a cantora Claudete Soares recebendo o de Princesa.

Foi para a Rádio Tupi a convite de Almirante. Com a inauguração da TV Tupi do Rio, em 20 de janeiro de 1951, participou do musical Espetáculos Tonelux, cuja estrela era a vedete Virgínia Lane. Em 1952, gravou seu primeiro disco, incluindo músicas em parceria com Ubirajara dos Santos como Pai, acende o lampião e Chova ou faça sol. Em 1953 foi para a Rádio Nacional e compôs, com Arnaldo Passos, a toada Menino de Braçanã. No fim da década de 1950, transferiu-se para São Paulo, para trabalhar na Rádio e na TV Record, onde apresentou um programa semanal intitulado Encontro com Luiz Vieira, com o qual depois se transferiu para a TV Excelsior, também de São Paulo. Ali continuou divulgando as músicas, os poemas e os cantadores do Nordeste.

Em 1962, numa de suas viagens de avião, compôs Prelúdio pra ninar gente grande, batizada pelo povo de Menino passarinho. Depois de uma passagem pela TV baiana em 1976, voltou à Rádio Nacional, de onde saiu, em 1996, para a Rádio Rio de Janeiro, levando o programa Minha terra, nossa gente. Grande conhecedor do folclore e da literatura de cordel, é também empresário, publicitário e jornalista.

 Virgínia Lane (1920- ), nome artístico da dançarina e vedete Virginia Giaconi. Nasceu no Rio de Janeiro, filha de uma atriz de teatro de variedades. Inicialmente, foi contratada para trabalhar como bailarina e cantora no Cassino da Urca pelo diretor Chianca de Garcia, que, em 1945, a levou para o Teatro Carlos Gomes, na revista musical Um milhão de mulheres, que fez um sucesso estrondoso. A esta altura, ela já fazia parte do elenco da Rádio Mayrink Veiga como cantora.

Depois, transferiu-se para o elenco do empresário Walter Pinto, que montava revistas musicais no Teatro Recreio. Entre seus grandes sucessos como cantora estão Maria Rosa (1946), de Oscar Bellardi e Dias da Cruz; Banana (1951), de Luiz Antônio, Jota Júnior e Paulo Gesta; Sassaricando (1951), de Zé Mário, O. Magalhães e Luiz Antônio; e Quando vem a noite (1954), de Monsueto e Álvaro Gonçalves.

 Welles, Orson (1915-1985), ator, produtor e diretor de cinema norte-americano. Em suas obras, conseguiu um estilo visual impressionante, com uma iluminação crua e uma cuidada estética expressionista. Em 1937, fundou o Mercury Theatre, passando a produzir inovadoras obras teatrais para o rádio e o palco. Sua versão radiofônica de A guerra dos mundos, de H. G. Wells, em 1938, foi tão realista que semeou o pânico em milhares de ouvintes. Entre seus filmes destacam-se: Cidadão Kane (1941, considerado um dos melhores filmes da história do cinema), Soberba (1942), A dama de Xangai (1948), A marca da maldade (1958), O processo (1962) e Verdades e mentiras (1975).

 Werneck Sodré, Nelson (1911-1999), militar e historiador brasileiro, nasceu e morreu no Rio de Janeiro. Utilizando o materialismo histórico como base de suas reflexões, foi um dos primeiros historiadores a produzir uma interpretação marxista da história do Brasil. Foi um dos fundadores, em 1955, do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb). No início da década de 1960, participou juntamente com outros intelectuais brasileiros do projeto de publicação da

>Nova história do Brasil, sob o patrocínio do Ministério da Educação e Cultura. Teve seus direitos políticos cassados em 1964 (ver Movimento militar de 1964). Em sua vasta bibliografia destacam-se: História da literatura brasileira (1938); Formação histórica do Brasil (1962); Brasil, radiografia de um modelo (1979); História e materialismo histórico no Brasil (1985).

 Wilker, José (1946- ), ator brasileiro. Apesar de ter uma longa e dedicada carreira em telenovelas, costuma ser mais lembrado por seus marcantes papéis no cinema, como o Vadinho do grande sucesso Dona Flor e seus dois maridos (1976), de Bruno Barreto, ou o Antônio Conselheiro de Guerra de Canudos (1997), de Sérgio Rezende. Teve participação de destaque na produção norte-americana O curandeiro da selva (Medicine man, 1992), de John McTiernan.

José Wilker de Almeida começou a carreira como locutor de rádio no Ceará, onde nasceu, e se mudou para o Rio de Janeiro aos 19 anos. Estreou nas novelas em 1973, com Bandeira 2, de Dias Gomes, na TV Globo, onde continuou e estrelou, em 1999, Suave veneno, de Aguinaldo Silva. Fez ainda Anjo mau (1976), de Cassiano Gabus Mendes; Roque Santeiro (1985), de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, e A próxima vítima (1996), de Sílvio de Abreu, entre muitas outras.

Amante de cinema, mostrou ao público essa faceta assinando uma coluna semanal sobre o assunto no Jornal do Brasil e fazendo comentários de filmes nos canais de TV por assinatura Telecine, da Globosat.

 Zé Trindade (1915-1990), nome artístico do ator, poeta e compositor brasileiro Milton da Silva Bittencourt, nascido em Salvador, Bahia. De infância pobre, despontou para o sucesso em 1935, como ator cômico no rádio e letrista de música. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1945, onde comandou programas radiofônicos de humor durante 20 anos (ver Rádio no Brasil).

No cinema desde 1947, criou o tipo inconfundível do baixinho mulherengo, de bigode fino e voz melíflua, autor de bordões duradouros como “é lamentável!”, “o que é a natureza!” e, o mais famoso, “meu negócio é mulher!”. Estrelou quase 40 chanchadas (ver Cinema brasileiro) de 1947 a 1961, com destaque para Genival é de morte (1956), O camelô da rua Larga (1958), Massagista de madame (1959) e Mulheres, cheguei (1961). Foi roteirista de vários filmes em que atuou.

Assinou o livro O poeta Zé Trindade (1965) e dois volumes de humor, gravou 26 discos de música nordestina e teve mais de 200 composições gravadas. Na televisão, fez inúmeros programas humorísticos, como o célebre Balança mas não cai (ver Televisão no Brasil).

 Lacerda, Carlos Frederico Werneck de, (1914-1977), jornalista e político brasileiro, nasceu em Vassouras, Rio de Janeiro, a 30 de abril de 1914, e faleceu no Rio de Janeiro, a 21 de maio de 1977.

Fundou e dirigiu o jornal Tribuna da Imprensa, de oposição ao governo Getúlio Vargas (1951-1954). Ligado ao Partido Comunista na juventude, adotou posições reformistas e mesmo conservadoras mais tarde. Deputado federal (1955) e líder da oposição ao governo Juscelino Kubitschek (1959), foi um dos próceres da União Democrática Nacional (ver Partidos políticos).

Governou o, então, estado da Guanabara (1960-1965) e apoiou o Movimento militar de 1964, rompendo posteriormente. Liderou a "Frente Ampla" (1968), que procurou unir os opositores ao regime militar. Ao ser cassado pelo Ato Institucional nº 5, dedicou-e às atividades editoriais.

 Marinho, Roberto (1904-), jornalista e empresário brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro, a 3 de dezembro de 1904. Filho do também jornalista Irineu Marinho, fundou e dirige uma das maiores empresas de telecomunicações do mundo, as Organizações Globo. Com a morte do pai, Roberto Marinho, assumiu aos 21 anos a direção do jornal O Globo. Em 1952 participou da delegação brasileira à VII Assembléia geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Expandindo suas atividades criou, em 1978, a Fundação Roberto Marinho, instituição que desenvolve projetos que visam contribuir para a solução dos problemas educacionais brasileiros. A fundação atua ainda nos campos das artes, e do patrimônio histórico e artístico nacional. É membro da Academia Brasileira de Letras a partir de 1993.

 Bezerra da Silva (1927- ), sambista e intérprete brasileiro nascido em Recife, Pernambuco, e cujo nome completo é José Bezerra da Silva. Expoente da MPB, precursor do pagode e grande revelador de talentos. Aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1950, começou a trabalhar no rádio carioca. Em 1977, empregou-se na orquestra da Rede Globo de Televisão, onde trabalhou por oito anos como percussionista. No ano seguinte, conheceu o sucesso com Eu sou ladrão, lançado pela BMG.

Tornou-se famoso pela irreverência, usada mesmo quando cita em suas canções problemas sociais vividos incansavelmente pelos moradores das favelas, a corrupção revelada dentro do governo do país ou o abuso de poder exercido pela polícia. Suas músicas são muito divertidas, abordando temas como sogras, falsos curandeiros, ataques da polícia, alcagüetagem (principal assunto das letras) etc. Já cantou diversos hinos de adoração ao Rio, saudando os morros e os companheiros de todos os pontos da cidade que o adotou. Entre suas gravações, destacam-se Eu sou favela, de Noca da Portela e Sérgio Mosca; Garoa, de Ney Silva, Paulinho Corrêa e Trambique; e Pagode das sete atrações, de Zé Luiz e Baiana. Tem mais de duas dezenas de discos gravados.

Boni (1936- ), executivo de televisão brasileiro. Com o apelido de Boni, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho conseguiu se tornar um conhecido nome da TV mesmo atuando não atrás das câmaras, mas atrás de uma mesa de executivo, ao longo de anos como vice-presidente de operações da Rede Globo. Começou na Globo em 1967 – levado da TV Rio por Walter Clark – e, desde a saída deste da emissora, em 1977, até o final de 1997, foi o todo poderoso comandante da área criativa e jornalística da empresa, consolidando o Padrão Globo de Qualidade reconhecido por profissionais do mundo inteiro.

Boni tornou-se admirado e temido pela impressionante intuição para decidir o que funcionava ou não na tela da emissora que comandava. O comunicado interno que o afastou do comando da Central Globo de Criação e da Central Globo de Programação causou impressionante comoção nos meios televisivo e artístico brasileiros em novembro de 1997.

 Campelo, Cely (1942- ), cantora brasileira nascida em São Paulo. Entre os intérpretes que trouxeram o rock à cena brasileira no final da década de 1950, destaca-se Cely Campelo, a primeira estrela nacional desse gênero musical. Junto com seu irmão, Tony Campelo, apresentou o programa Cely e Tony em hi-fi, na TV Record. Ainda adolescente, com 13 anos, estreou no rádio e, aos 15, lançou seu primeiro compacto. Sua carreira, dividida entre rádio, televisão, shows e discos, durou apenas de 1958 a 1962. Tempo para gravar e lançar seus principais sucessos, como Estúpido Cupido, Banho de lua, Lacinho cor-de-rosa e Broto legal, todas versões de músicas norte-americanas. Aos 20 anos, casou-se e parou de cantar. A partir de então, suas reaparições se limitaram às poucas vezes em que esteve em moda a década de 1950, como quando a Rede Globo, em 1976, apresentou a novela Estúpido Cupido.

 Campos, Jacy, (1919-1987), ator brasileiro de cinema, teatro e televisão, autor e diretor premiado internacionalmente, jornalista, produtor de programas didáticos e piloto de avião, com doutoramento em Aeronáutica nos Estados Unidos. Nasceu em 6 de agosto, na cidade de Bela Vista, hoje Mato Grosso do Sul. Foi um dos pioneiros da televisão no Brasil, meio em que se consagrou com Câmera 1, teleteatro com histórias dramáticas, transmitido ao vivo, com apenas uma câmera, e que alcançou recordes de audiência nas décadas de 1950 e 1960. Também inovou na educação pela televisão, criando para a TV Educativa a novela didática João da Silva, para o primeiro grau, com a qual a TV brasileira conquistou o Prêmio do Japão, em 1973.

Na Inglaterra, deu aulas no primeiro curso de televisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) e dirigiu o curta-metragem The magical box, comprado e lançado pela BBC e traduzido para oito idiomas. Nos Estados Unidos, participou do Actor’s Studio e estagiou nas três maiores redes da televisão americana: ABC, CBS e NBC. No Brasil, trabalhou nas TVs Globo, Manchete, Bandeirantes e Educativa. Além do Câmera 1 e de João da Silva, criou os programas Anfitrião, Cassino da Urca e Universidade popular e a novela A conquista.

 Carlos Alberto (1925- ), ator brasileiro cujo nome completo é Carlos Alberto Soares, um dos galãs pioneiros da telenovela. Começou em cinema, fazendo pontas. Em 1954, foi premiado por sua atuação no filme Rua sem sol, de Alex Viany, mas trocou a vida artística pela Literatura Inglesa (é doutor em Literatura Comparada pela Universidade de Michigan, Estados Unidos).

Na década seguinte, voltou a atuar, trabalhando em teatro e televisão. Interpretou o principal papel masculino da primeira novela de sucesso da TV Globo, Eu compro essa mulher, de Glória Magadan. A partir daí, participou de inúmeras novelas de sucesso, vivendo sempre o herói apaixonado, capaz de sacrificar-se pela amada. Na década de 1970, afastou-se novamente da carreira artística, participando apenas de uma novela, Bravo!, de Janete Clair. Na década seguinte, atuou em Dona Beija e Kananga do Japão, ambas na TV Manchete. Sua mais recente aparição foi na novela Mandacaru, em 1998, também na Manchete.

 Casé, Geraldo (1928- ), diretor de TV brasileiro, também autor de livros e peças infantis, filho do radialista Ademar Casé e pai da atriz Regina Casé. Começou na TV Tupi logo no início do veículo, em 1951, e fez na emissora o famoso Teatrinho Trol. Desenvolveu sua carreira na televisão, passando por várias emissoras como as TVs Rio, Excelsior, Globo (em 1966) e Educativa do Rio, da qual foi um dos fundadores. Em 1975, voltou para a Rede Globo, onde permanece.

Sua maior realização como diretor de TV foi a criação do formato que transformou o programa Sítio do Pica-Pau Amarelo, da Globo – adaptação livre da literatura infantil de Monteiro Lobato –, num popular, consagrado e premiado entretenimento para crianças. Exibida de 1977 a 1984, com co-produção da TV Educativa e do Ministério da Cultura, a série foi considerada pela Unesco o melhor programa educativo infanto-juvenil de 1977.

 Casé, Regina (1954- ), atriz brasileira com notável vocação para o humor, filha do diretor de TV Geraldo Casé. É elogiada por seu talento histriônico e seu gosto pelo improviso. Muitos a comparam à atriz Dercy Gonçalves. Revelou-se, na década de 1970, no inovador grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone,  formado por jovens que refletiam o pensamento de sua geração. Uma de suas peças, Trate-me leão, uma criação coletiva, ficou três anos em cartaz. Regina interpretava mais de dez papéis e sua atuação foi premiada.

Na carreira solo, voltou-se mais para a televisão, onde começou em novelas (Cambalacho, 1986, de Sílvio de Abreu, no papel de Tina Pepper). Logo passou para programas humorísticos, como TV Pirata, uma das maiores audiências da televisão brasileira. Outros sucessos foram Programa legal e Brasil legal. Neste, atuava como repórter. Em novembro de 1998, estreou Muvuca, um programa de entrevistas nada convencional. No palco, seu mais recente trabalho foi o monólogo Nardja Zulpério, lançado em 1991. Define suas raras atuações em  cinema como “participações meteóricas”.

 Curi, Jorge (1920–1985), narrador esportivo brasileiro, nascido no que ele chamava de “país de Caxambu”, em Minas Gerais. Começou a vida profissional ainda em sua cidade natal, em 1942. Entrou na Rádio Nacional em 1943, depois de um complicado processo que começou com a participação em um programa de Ari Barroso e Sílvio Caldas transmitido do Hotel Glória, no Rio de Janeiro; passou por um teste na rádio no qual foi aprovado e, depois de uma longa espera em Caxambu, culminou com um período de experiência de 15 dias. Finalmente contratado, foi locutor comercial de toda a programação da emissora, que incluía títulos como Dona música, Alma do sertão e Balança mas não cai.

Sua primeira transmissão esportiva foi em 1944, absolutamente improvisada, por causa de uma injeção que Gagliano Neto, o narrador oficial, teve que tomar no intervalo de um jogo entre Brasil e Uruguai. Vieram depois disso nove Copas do Mundo (de 1950 a 1982), além dos títulos mundiais do Santos e do Flamengo (ver Principais clubes brasileiros de futebol). Acompanhou também o circuito mundial de Fórmula-1, o que fazia com que dissesse, brincando, que morava no mundo e passeava em casa. Trabalhou 28 anos na Rádio Nacional, mudando-se em 1972 para a Rádio Globo, onde ficou até o fim de sua carreira.

 Daniel Filho (1937-), diretor de cinema e televisão carioca, um dos responsáveis pela criação do chamado Padrão Globo de Qualidade, da rede de emissoras em que trabalhou 23 anos. Homem de personalidade forte, fez muitos inimigos em sua conturbada trajetória para o poder – chegou a ser diretor da Central Globo de Produções. Seu inegável talento pode ser comprovado pelos trabalhos que fez em verdadeiros marcos da telenovela brasileira, como Irmãos Coragem, de Janete Clair; Dancin’ Days, de Gilberto Braga; e Bandeira 2, de Dias Gomes. Foi também o criador das séries Malu mulher e Ciranda cirandinha. Depois de sua saída da Globo, dirigiu a sensível série Confissões de adolescente, baseada no livro homônimo da atriz Maria Mariana, exibido na TV Cultura de São Paulo, na TV Bandeirantes, na TV Educativa do Rio e na televisão francesa. Em 1997, participou do projeto de ressurreição da produtora Atlântida e voltou à Rede Globo.

 Falabella, Miguel (1956-), autor, diretor e ator brasileiro, nascido no Rio de Janeiro. Como autor, seu maior sucesso é a peça A partilha, encenada no Brasil e no exterior. Na mesma linha de humor leve e descompromissado, escreveu várias outras, a maioria em parceria com Maria Carmem Barbosa. Recebeu, como ator, o prêmio Mambembe por Sereias da Zona Sul (1988). Como diretor, conquistou os prêmios Molière e o Mambembe por Emily, de William Luce (1984), e o Coca-Cola de Teatro Infantil por A megera domada, de Shakespeare (1989). Desde 1988, é apresentador do programa diário Vídeo show, da TV Globo, onde também integra o elenco fixo do humorístico Sai de baixo.

 Francis, Paulo (1930-1997), pseudônimo de Franz Paulo Trannin Heilborn, jornalista carioca. Principiou sua atividade profissional no teatro, como ator. Na década de 1950, estreou como crítico teatral mas preferiu optar pelo jornalismo, tornando-se uma das personalidades mais polêmicas da imprensa brasileira. Foi um dos fundadores de O Pasquim, semanário humorístico de oposição ao Movimento militar de 1964. Entre 1968 e 1970 esteve preso quatro vezes. Nesta época, mudou-se para Nova York, sem interromper sua atividade de colaborador em O Estado de S. Paulo e O Globo, onde, nos dois últimos anos de vida, assinou a coluna “O Diário da Corte”. Paralelamente, trabalhava como correspondente da TV Globo. Publicou 12 livros, entre eles os romances Cabeça de papel (1970) e Cabeça de negro (1977). Francis caracterizava-se por seu estilo cortante e debochado que lhe valeu muitas brigas e bate-bocas. A interjeição “Waaal”, utilizada para manifestar surpresa diante de notícias bombásticas, identificava sua personalidade irônica.

 Furtado, Jorge (1959- ), cineasta e diretor de televisão brasileiro. Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, onde foi um dos fundadores da produtora Casa de Cinema (1984). Expoente da geração de curtas-metragistas que sustentou a continuidade do cinema brasileiro nos anos 1989-94, acumulou prêmios com O dia em que Dorival encarou a guarda (1986), Barbosa (1988) e principalmente Ilha das Flores (1989), divertido e contundente tratado sobre o funcionamento da sociedade de consumo, laureado nos festivais de Berlim, Clermont-Ferrand (França) e Havana. Filmou Esta não é a sua vida (1992) para a TV britânica Channel Four e A matadeira (1994) para a TV alemã ZDF. Contratado para escrever roteiros para a TV Globo em 1990, participou da criação de uma nova dramaturgia na televisão brasileira, em programas como Brasil legal e outros do Núcleo Guel Arraes.

 Gonzaga, Luís (1912-1989), Luís Gonzaga do Nascimento, sanfoneiro, cantor, e compositor popular brasileiro, nascido no sertão pernambucano. Ficou famoso como o Rei do Baião. Foi descoberto em 1939, no Rio, quando se apresentou no programa de calouros de Ari Barroso, cantando um chamego de sua autoria, Vira e mexe. Seus primeiros sucessos como compositor surgiram em 1945: o calango Dezessete e setecentos, gravado por Manezinho Araújo, Penerô xerém e Cortando o pano, todos com Miguel Lima.

No ano seguinte, iniciou parceria com Humberto Teixeira lançando o famoso Baião, uma estilização do velho rojão ou baião nordestino; durante quase uma década, o baião tomou conta do país. Seguiram-se: No meu pé de serra (1946), Asa branca (1947), e Juazeiro (1948), Paraíba e Baião de dois (1950), todos com H. Teixeira. Outros sucessos: Pagode russo (1946), Cintura fina e Forró do Quelemente (1951), os dois últimos com Zé Dantas.

Luís Gonzaga sumiu das paradas e só reapareceu nos anos 1970, quando foi regravado por Gilberto Gil e Caetano Veloso. Em 1972, voltou a se apresentar no Rio; a última apresentação (1983) foi gravada ao vivo no Teatro Fênix, para a série Grandes nomes, produzida pela TV Globo.

 Nogueira, Armando (1927- ), cronista brasileiro. Nasceu em Xapuri, estado do Acre. Mora no Rio de Janeiro desde os 17 anos. Em 1950, iniciou intensa atividade jornalística em jornais e revistas, escrevendo, entre outros, para o Diário Carioca, O Cruzeiro, Manchete e Jornal do Brasil. Como comentarista esportivo, dedica-se, também, ao telejornalismo (TV-Rio, Rede Globo de Televisão, TV-Bandeirantes e Globosat). Todos os seus livros têm como tema o universo do futebol que ele aborda em estilo poético, marcado pela simplicidade. Entre suas obras destacam-se Na grande área(1966), Bola na rede (1974) e Maracanã (1990) – "Quanta saudade daquele drible à direita que alegrava as minhas jovens tardes de domingo".

 Ribeiro, Agildo (1932- ), comediante e ator brasileiro. Vindo de uma tradicional família brasileira, Agildo Barata Ribeiro Filho fez carreira como comediante de TV, participando de importantes  programas humorísticos da Globo, como Planeta dos homens, com Jô Soares. Recentemente teve experiências artísticas diferentes na novela Mandacaru (1997-1998), na Manchete, e também no espetáculo teatral Roque Santeiro (1996), de Dias Gomes, no papel de Sinhozinho Malta.

Nos anos 1970, contraceno

u com o boneco articulado italiano Topo Gigio num programa de TV de incrível repercussão. Em Cabaré do Barata, programa que estrelou na Manchete entre 1987 e 1990, experimentou com sucesso, embora com pouca audiência, combinar comediantes e bonecos manipulados, em geral caricaturas de políticos. Tem longa carreira cinematográfica sem grandes momentos marcantes, tendo atuado tanto no infantil Pluft, o fantasminha (1964) quanto na pornochanchada Gugu, o bom de cama (1980). Ultimamente, tem sido mais ativo no teatro, em espetáculos de humor ou comédias escritas sob medida para ele.

 Santos, Sílvio (1930-), nome adotado pelo comunicador e empresário brasileiro Senor Abravanel desde que começou a comandar um programa de auditório na então Organização Victor Costa, no início da década de 1960. Apesar de ele hoje ser membro do seleto grupo de bilionários brasileiros, nem tudo foram flores na vida desse empresário extremamente ousado, que começou a vida como camelô aos 14 anos de idade, vendendo carteiras para título eleitoral.

Entre as 33 empresas que comanda está o polêmico Baú da Felicidade, que em sua origem era uma caixa vendida em 12 prestações e entregue repleta de presentes no Natal. Foi para divulgá-lo que Sílvio Santos criou o seu longo programa de televisão dominical, que, antes de ir para o seu SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), foi apresentado na Globo e na Tupi. Não mediu esforços para ganhar do seu amigo João Baptista de Figueiredo, então presidente da República, a concessão do canal televisivo deixado vago com a falência da TV Tupi. Em duas ocasiões, esteve muito próximo de disputar um cargo eletivo: nas eleições para a prefeitura de São Paulo de 1986 e nas eleições presidenciais de 1990.

 Souza, Maurício de ( 1935- ), desenhista de humor brasileiro, nascido em Santa Isabel, São Paulo. Criou a primeira tira diária com os personagens Franjinha e Bidu, em 1959, tornando-se posteriormente o mais bem-sucedido autor de histórias em quadrinhos do país, dono de um verdadeiro império do gênero, a Maurício de Souza Produções Artísticas Ltda., inaugurada em 1961. Muito mais do que apenas um bom empresário, é também o mais importante autor brasileiro na área, com uma visão precisa da utilização das histórias em quadrinhos em prol da construção de uma identidade nacional sólida.

 Foi criador de uma rica galeria de tipos que já fazem parte do imaginário popular: Mônica, Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Magali, Jotalhão, Horácio, Piteco, Raposão, Tarugo, Penadinho, O Astronauta e Anjinho, entre outros. Personagens que, inclusive, já mereceram um parque temático na capital paulista, criado na década de 1980, protagonizaram desenhos animados de longa-metragem (As novas aventuras da turma da Mônica, de 1985, e Mônica e a sereia do rio, de 1987), deram origem a diversos CD-ROMs e se tornaram tema de seriado da Rede Globo de Televisão em 1999.

 Sued, Ibrahim (1929-1995), jornalista nascido na cidade do Rio de Janeiro, um dos pioneiros do colunismo social no Brasil. Seus primeiros trabalhos foram publicados nas revistas Vanguarda e Manchete. Em 1953, começou a escrever a coluna diária de reportagem social no jornal O Globo, mantendo-a por mais de 40 anos. Criou a lista das Dez Mais e personagens fictícios, como a Dama de Preto e o duque de Watterman. Seus famosos bordões – entre eles, “ademã, eu vou em frente” – foram incorporados ao vocabulário carioca. Recebeu diversas condecorações em todo o mundo: a comenda de Cavaleiro da Legião de Honra da França, o Cedro do Líbano, a Medalha da Vila de Paris e a Ordem de Genebra. Autor de vários livros sobre etiqueta e viagens, como Aprenda a receber (1979), Etiqueta (1980), Vida, sexo, etiqueta e culinária (1987) e OOO contra Moscou (1965). Também escreveu dois livros de memórias, Vinte anos de caviar (1972) e Trinta anos de reportagem (1983).

 Wainer, Samuel, jornalista nascido em São Paulo. Iniciou a carreira em 1934 na revista Brasileira, no Rio de Janeiro. Fundou a revista Contemporânea (1935) e Diretrizes (1938). Correspondente internacional, cobriu a Segunda Guerra Mundial e a criação do Estado de Israel. É de sua autoria a reportagem que anunciou o retorno de Getúlio Vargas à política, em 1950. Em 1951, revolucionou a imprensa brasileira ao fundar a cadeia de jornais Última Hora. Em 1964, teve seus direitos políticos cassados, exilando-se no Chile e, depois, na França. Em 1966, na Grécia, produziu o filme Pastores da desordem. Em 1971, vendeu os direitos sobre a Última Hora e fixou residência em São Paulo. Em 1977, tornou-se colunista da Folha de São Paulo e integrante do conselho editorial deste mesmo jornal. Morreu sem concluir suas memórias, Minha razão de viver, publicadas postumamente em 1988.

 Borba, Emilinha (1921- ), nome artístico da cantora popular brasileira Emília Savana da Silva Rocha, nascida no Rio de Janeiro. No final da década de 1930, começou a trabalhar na Rádio Cajuti e lançou seu primeiro disco pela gravadora Colúmbia. Em 1940, passou a atuar na Rádio Mayrink Veiga, onde formou a dupla “As Moreninhas” com Bidu Reis, com quem cantou durante os três anos seguintes. A partir de 1944, integrou, por 27 anos, o elenco da Rádio Nacional, tornando-se o primeiro grande ídolo dos programas de auditório lançados pela emissora a partir de 1945. Destacou-se como intérprete de marchas carnavalescas, como Chiquita bacana, de Braguinha e Alberto Ribeiro (1949), Tomara que chova, de Paquito, e Baião de dois, de Humberto Teixeira e Luís Gonzaga (1950). Participou de 34 filmes musicais. Encerrou sua carreira em 1968, quando, operada de um edema nas cordas vocais, não conseguiu mais recuperar o timbre de voz.

 Costa, Alaíde (1935- ), cantora e compositora brasileira nascida no Rio de Janeiro e cujo nome completo é Alaíde Costa Silveira Mondin Gomide. Aos 13 anos, já cantava em programas infantis do rádio. Em 1952, foi contratada pela Rádio Clube do Brasil e, cinco anos depois, gravou seu primeiro disco, com a música Tarde demais, de Hélio Costa e Anita Andrade, que lhe valeu o prêmio de revelação do ano. Em 1959, gravou Alaíde canta suavemente, que incluía músicas dos grandes compositores da bossa nova, que então se iniciava.

Em 1964, consagrou-se no show O fino da bossa, realizado no Teatro Paramount, cantando Onde está você?, de Oscar Castro Neves (ver Família Castro Neves) e Luvercy Fiorini, música que marcou seu repertório e lhe valeu um contrato de dois anos na TV Record. No final da década de 1960, passou alguns anos afastada por problemas de saúde, retornando em 1972.

Compôs Afinal (letra e música) e algumas outras canções em parceria com Vinícius de Moraes, Geraldo Vandré, Paulo Alberto Ventura e Hayblan.


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